Política

Celina Leão se lança como pré-candidata ao governo do DF e convida Michelle Bolsonaro

Governadora busca apoio da ex-primeira-dama para corrida ao Senado

Estadao Conteudo 18/07/2026
Celina Leão se lança como pré-candidata ao governo do DF e convida Michelle Bolsonaro
Celina Leão - Foto: Reprodução

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), lançou sua pré-candidatura à reeleição neste sábado, 18, durante um evento em Ceilândia, onde mencionou Michelle Bolsonaro como possível candidata ao Senado. Em entrevista ao Estadão, Celina reforçou o convite à ex-primeira-dama: "O nosso gesto é que ela realmente venha", afirmou.

Num palco montado em Ceilândia, Celina discursou ao lado da deputada federal Bia Kicis (PL-DF), da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do pré-candidato a vice em sua chapa, Gustavo Rocha (Republicanos-DF), que foi ministro dos Direitos Humanos no governo Michel Temer.

Empossada após a renúncia do então governador Ibaneis Rocha (MDB) para concorrer ao Senado, a governadora fez uma defesa de seus quase três meses de governo, abordando investimentos, mas não mencionou Michelle em seu discurso. Antes, Kicis já havia se referido à aliada.

"Sou do PL, partido do presidente Bolsonaro, da primeira-dama Michelle Bolsonaro, que vai ser candidata ao Senado junto comigo", declarou a deputada em seu discurso, apesar de ainda não haver confirmação da participação de Michelle.

Questionada pelo Estadão sobre a ausência da aliada, Celina afirmou, após o evento, que tem tentado convencer Michelle a concorrer, destacando que as mulheres são poucas na política. Segundo ela, a ex-primeira-dama ainda não tomou uma decisão definitiva.

"O nosso gesto é que ela realmente venha. Sempre digo a ela que, quando faz um trabalho em todo o Brasil, abrindo diretórios do PL Mulher, não pode desistir no meio do caminho", disse Celina.

A governadora também mencionou que Michelle cresceu em Ceilândia e que, se eleita senadora, poderia fazer algo pela cidade.

No entanto, Celina reconheceu que a ex-primeira-dama pode optar por não se candidatar se decidir ficar em casa cuidando do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar. Jair cumpre uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

"Ela (Michelle) sempre diz que, entre a vida pessoal e a política, já escolheu. Não tenho dúvidas de que, se ela tiver que escolher entre a família e a política, escolheria a família. Mas acredito que, como senadora, ela poderia trabalhar aqui no Distrito Federal e ajudar também", declarou.

A ex-primeira-dama tem questionado seu projeto eleitoral nos últimos meses e até considerou deixar o PL após o rompimento público com seu enteado e pré-candidato à presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Contudo, foi convencida a permanecer no partido por Celina e Damares. No mesmo dia, ela havia renunciado à presidência nacional do PL Mulher.

Esses desdobramentos ocorreram após Michelle criticar as articulações eleitorais do PL e de Flávio, afirmando que ele a teria "maltratado, desrespeitado e humilhado".

Em maio, Michelle já havia posto em dúvida sua candidatura ao Senado ao declarar que, enquanto precisasse cuidar do marido, não conseguiria disputar as eleições neste ano.

"A prioridade é a minha casa, meu marido. Não posso pensar no amanhã se hoje preciso estar firme e forte para cuidar dele. Ele quer muito que eu me candidate, mas sinto que já dei a minha contribuição. Se eu precisar ficar em casa cuidando dele, assim o farei", afirmou Michelle.

Neste sábado, 18, Celina expressou que espera contar com o MDB em sua aliança. Os dois partidos romperam relações meses atrás, quando Ibaneis, descontente com a antiga aliada, lançou Rafael Prudente ao governo do DF, concorrendo com sua ex-vice.

Ibaneis mencionou decepções com Celina, que respondeu ressaltando sua gestão independente. O rompimento foi influenciado pela crise do Banco Master, que atualmente enfrenta investigações, além do temor de delações do ex-presidente que poderiam impactar a gestão da dupla.