Política

Cidadania rompe o silêncio e se distancia da ofensiva judicial do PSDB de JHC contra a imprensa

Presidente da legenda em Maceió, Fátima Romar afirma que o partido rejeita tentativas de silenciamento e anuncia nota para deixar claro que não participa da estratégia jurídica adotada pelo aliado de federação

Redação 16/07/2026
Cidadania rompe o silêncio e se distancia da ofensiva judicial do PSDB de JHC contra a imprensa
Fátima Romar em entrevista a Jovem PAN: "Cidadania irá emitir nota" - Foto: Reprodução

A presidente do Cidadania em Maceió, Fátima Romar, afirmou que o partido não concorda com as ações judiciais promovidas pelo PSDB contra jornalistas, veículos de comunicação, sindicalistas, blogueiros, políticos, estudantes, humoristas e outros cidadãos que abordaram o investimento de R$ 117 milhões realizado pelo Iprev Maceió no Banco Master.

A declaração expõe publicamente uma divergência dentro da federação formada por PSDB e Cidadania. Em Alagoas, o PSDB é comandado pelo ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC. A maioria das representações contra veículos de imprensa trata da questão escandalosa do IPREV e Banco Master .

Ao comentar a multiplicação de processos, Fátima Romar ressaltou que o Cidadania se considera uma legenda livre, democrática e comprometida com a liberdade de manifestação. Segundo ela, o partido não endossa iniciativas que possam ser interpretadas como tentativa de constranger ou silenciar pessoas que participam do debate público.

A posição representa um claro afastamento da estratégia adotada pelo PSDB, que tem recorrido à Justiça contra diferentes manifestações relacionadas ao Iprev Maceió e ao Banco Master.

O investimento de aproximadamente R$ 117 milhões tornou-se um dos principais temas do debate político em Alagoas. O Banco Master passou a ser alvo de investigações e questionamentos de autoridades, enquanto as circunstâncias das aplicações feitas por regimes próprios de previdência seguem sob escrutínio público.

Apesar da relevância do tema, a reação jurídica do PSDB contra críticos e comunicadores vem provocando crescente desgaste político e levantando questionamentos sobre os limites entre a legítima defesa da honra e o uso reiterado do Judiciário para retirar conteúdos de circulação ou impor penalidades a quem se manifesta sobre assuntos de interesse coletivo.

Durante a entrevista, Fátima Romar deixou claro que o Cidadania não pretende ser associado automaticamente às decisões do setor jurídico do PSDB apenas porque as duas legendas integram a mesma federação.

A dirigente anunciou ainda que o partido divulgará uma nota oficial para afirmar que não tem participação nem responsabilidade pelas ações movidas pelo PSDB.

A manifestação é politicamente relevante porque evidencia que a ofensiva judicial não encontra consenso nem mesmo dentro da própria federação partidária. Enquanto o PSDB amplia o número de demandas contra críticos, o Cidadania procura preservar sua identidade pública e se afastar de uma estratégia que já é apontada por setores da sociedade como incompatível com o ambiente democrático.

A fala de Fátima Romar também reforça uma contradição interna difícil de ignorar: duas legendas obrigadas a atuar conjuntamente no campo eleitoral demonstram posições distintas diante de um tema central para a democracia — o direito da sociedade de fiscalizar, questionar e criticar agentes públicos.

Com o anúncio da nota, o Cidadania pretende estabelecer uma linha divisória entre sua atuação política e a máquina jurídica mobilizada pelo PSDB. A mensagem é direta: a federação pode unir os partidos eleitoralmente, mas não torna o Cidadania corresponsável por uma estratégia de judicialização em série que a própria direção municipal da legenda afirma rejeitar.