Política

Projeto na Câmara proíbe atletas que jogam fora do Brasil e técnico estrangeiro na Seleção

Iniciativa visa restringir convocações e patrocínios de casas de apostas

Estadao Conteudo 09/07/2026
Projeto na Câmara proíbe atletas que jogam fora do Brasil e técnico estrangeiro na Seleção
Luiz Carlos Hauly é o autor da proposta - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O deputado Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) apresentou, nesta quarta-feira, 8, à Câmara dos Deputados, um projeto de lei que restringe as convocações para a Seleção Brasileira a jogadores vinculados a clubes do País e estende a exigência aos membros da comissão técnica. A proposta também veta patrocínios de casas de apostas, incluindo apostas , clubes e outras entidades esportivas.

Pelo texto, as seleções brasileiras masculinas, femininas e de base só poderão ser compostas por atletas brasileiros registrados em clubes sediados no Brasil e que disputam competições oficiais organizadas no País. A restrição alcança ainda a comissão técnica: treinadores, auxiliares, treinados financeiros e demais integrantes têm que ter nacionalidade brasileira e vínculo profissional com clubes ou entidades esportivas condicionais no Brasil.

A medida, se aprovado, atingiria diretamente jogadores brasileiros que atuam em clubes no exterior e também impediria a presença de treinadores estrangeiros à frente da Seleção. Atualmente, o Brasil é comandado pelo técnico italiano Carlo Ancelotti , que tem contrato com a CBF até a Copa do Mundo de 2030.

A proposta foi apresentada na mesma semana em que a Seleção foi eliminada da Copa do Mundo de 2026 após perder por 2 a 1 para a Noruega nas oitavas de final.

"Acabei de apresentar um projeto de lei para proibir jogadores de futebol que jogam no exterior e técnicos. Chega! Basta essas estrelas que vêm para a Copa do Mundo como vestiais e chegam na Copa, fazem o Brasil passar vergonha" , disse Hauly na quarta-feira, em discurso na Câmara ao defender a proposta.

Em outro trecho, a proposta proíbe clubes, associações, agremiações e entidades de administração do esporte de firmar ou manter contratos de patrocínio, publicidade ou similares com empresas de apostas esportivas, jogos de azar e plataformas eletrônicas do setor. A exposição inclui a exposição de marcas em uniformes, estádios, centros de treinamento, placas, entrevistas, técnicas, redes sociais e eventos esportivos.

Os contratos já em vigor permanecerão encerrados em até 180 dias após a publicação da lei, caso o projeto seja aprovado e sancionado. O descumprimento poderia levar à suspensão da coleta de recursos públicos federais, incentivos fiscais, além de outras sanções previstas na legislação.

O projeto ainda está em fase inicial de tramitação na Câmara. Depois da apresentação, o texto precisa ser enviado pela Mesa Diretora para análise das comissões temáticas. Caso seja aprovado nas comissões e, se necessário, no plenário da Câmara, poderá seguir ao Senado.