Política

Prefeitura de SP pede explicações a ONG ligada a 'Dark Horse' por despesas de R$ 13,4 milhões

Movimentação financeira sob suspeita exige transparência da entidade.

Estadao Conteudo 09/07/2026
Prefeitura de SP pede explicações a ONG ligada a 'Dark Horse' por despesas de R$ 13,4 milhões
Prefeitura de SP pede explicações a ONG ligada a 'Dark Horse' por despesas de R$ 13,4 milhões - Foto: Reprodução

A Prefeitura de São Paulo pediu explicação ao Instituto Conhecer Brasil sobre despesas realizadas no primeiro semestre do ano passado no âmbito do contrato para a instalação de pontos de wi-fi livres em comunidades de baixa renda da capital paulista.

O Instituto Conhecer Brasil é uma organização não governamental (ONG) presidida por Karina da Gama , dona da Go Up Entertainment , responsável pela produção de "Dark Horse" , filme inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - e foi alvo de operação policial.

A entidade deve prestar esclarecimentos por pagamentos que somam R$ 13,4 milhões . Do montante, R$ 906 mil foram sinalizados para “restituição imediata” caso a organização não justifique os gastos de forma adequada.

Em 2024, a entidade fechou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo. O termo foi acrescentado em R$ 49 milhões . O convênio está na mira da Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de fraude e desvio de dinheiro público. A corporação suspeita de desvios da palavra pública para o financiamento do filme inspirado na vida de Bolsonaro.

A Prefeitura de São Paulo oficiou uma ONG produtora de “Dark Horse” por gastos realizados sem a comprovação de dívida por notas fiscais. Em outros casos, a gestão municipal sinalizou a ausência de concepção dos serviços prestados.

Karina da Gama confirmou a coleta do ofício nesta segunda-feira, 6 de julho. A entidade tem até 30 dias , contada a partir da recolha da notificação, para prestar os esclarecimentos solicitados.

Em nota, a Prefeitura disse que o oficial da ONG "confirma o trabalho sério e rigoroso de fiscalização ativa da parceria. Já Karina da Gama, em nome da entidade, afirmou que atenderá a diligência da gestão "com a máxima brevidade e transparência".

Administração glosou R$ 906 mil para “restituição imediata”. Segundo o órgão da Prefeitura, tratam-se de despesas relativas a notas fiscais canceladas.

“Estamos em conjunto com os fornecedores e parceiros, reunindo toda a documentação e as informações complementares solicitadas”, disse o presidente da organização.

Das 41 despesas sinalizadas pela Prefeitura de São Paulo como suspeitas, quatro foram destinadas à Complexsys . Esses gastos totalizam R$ 2,2 milhões .

Como mostrou o Estadão, em dezembro de 2024, o Instituto Conhecer Brasil fez dois pagamentos a essa empresa, totalizando R$ 1,3 milhão . Naquele momento, um dos sócios da Complexsys também era dirigente da entidade. A contratação por ONGs de empresas de seus próprios dirigentes é vedada pela legislação, dado o conflito de interesses. Em março de 2025, o sócio da Complexsys deixou a diretoria da ONG. Houve mais pagamentos da entidade para a empresa nos meses seguintes.