Política
Comissão da Câmara aprova texto que extingue aposentadoria compulsória no Judiciário
Medida visa alterar punição a magistrados e membros do Ministério Público
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, 8, o relatório do deputado Helder Salomão (PT-ES), que admite o fim da aposentadoria compulsória como vingança disciplinar a juízes, desembargadores, ministros e membros do Ministério Público.
A aposentadoria compulsória é uma sanção atualmente aplicada a magistrados e membros do Ministério Público que cometem infrações no exercício da carga.
Na prática, o punido é afastado da função, mas continua a receber remuneração integral, como se tivesse sido aposentado por tempo de contribuição. Para o relator, a medida funciona como “um prêmio para quem pratica ilícitos e crimes” na magistratura, e não como uma punição.
“A sociedade brasileira há muito reivindica o fim dessa privacidade”, afirmou Helder Salomão.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) , 126 magistrados receberam a isenção de aposentadoria compulsória desde 2006 até este ano. Entre os casos mais emblemáticos está o do juiz Marcelo Bretas , do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), aposentado compulsoriamente em 2025 por irregularidades na Operação Lava Jato . O conselho já usou esta proteção para magistrados acusados de venda de sentenças, decisões para beneficiários familiares e favorecimento de grupos políticos, milicianos e membros de facções criminosas.
O colegiado acompanhou o voto do relator e estas propostas inadmissíveis três apensadas (instrumento que permite a tramitação conjunta de proposições que tratam de um mesmo assunto) ao processo. Entre elas a PEC 505/2010 , que deu origem à tramitação, por permitirem a perda da carga por decisão administrativa dos tribunais ou do CNJ, sem exigência de sentença judicial transitada em julgado.
A deputada Bia Kicis (PL-DF) elogiou o parecer e citou o caso da juíza Ludmila Lins Grilo , afastada pelo CNJ após criticar o Inquérito das Fake News, aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) . Para o parlamentar, a decisão administrativa expôs o risco de a aposentadoria compulsória e outras avaliações semelhantes serão usadas como instrumento de fiscalização política contra magistrados.
Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) associou o fim da aposentadoria compulsória ao combate à impunidade.
O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) discursou em tom mais crítico ao Congresso e ao Judiciário. Ele afirmou que a Casa demorou mais de uma década para votar o fim do benefício e só o fez, segundo ele, por pressão do STF.
A crítica de Alfredo Gaspar se refere à decisão do ministro Flávio Dino , do STF, que em maio declarou o fim da aposentadoria compulsória como isenção máxima para membros do Judiciário. O magistrado considerou essa ação como incompatível com a reforma da Previdência.
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