Política
Aula de Haddad em Campinas é interrompida por confusão envolvendo integrantes do MBL
Manifestação gera tumulto durante aula magna na Unicamp.
Uma aula magna ministrada pelo ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi interrompida por manifestantes ligados ao MBL. O episódio, ocorrido na noite desta quinta-feira, 2, envolveu agressões físicas após a intervenção dos participantes, que foram retirados do auditório.
Um dos envolvidos, o pré-candidato a deputado estadual Matheus Pereira (Missão-SP), conhecido como 'Matheus Campinas', divulgou imagens da confusão. Na gravação, ele chama Haddad de 'pior prefeito de São Paulo, péssimo, horrível', e classifica o evento como 'campanha antecipada desse monte de vagabundos'. Ao ser retirado do local, o militante do MBL leva uma rasteira de um homem, que ele alega ser segurança de Haddad, e cai no chão.
O Estadão procurou a pré-campanha do ex-ministro Fernando Haddad para comentar, mas não houve retorno e o espaço segue aberto.
Outro participante, o pré-candidato a deputado federal Gabriel Piauhy (Missão-SP), afirmou que o grupo foi à aula para 'fazer questionamento a Haddad'. Na última sexta-feira, ele também esteve em uma cerimônia que concedeu ao ex-ministro o título de cidadão honorário de Santo André (SP). Em um registro em suas redes sociais, Piauhy é confrontado por apoiadores do ex-ministro e relata que 'os petistas malucos vieram para cima.'
Em nota, o PT repudiou o episódio na Unicamp, que qualificou como 'violência política perpetrada por integrantes da extrema-direita'. 'Pela segunda vez, integrantes desse grupo político de extremistas provocam conflitos em atos políticos do nosso pré-candidato', afirma o comunicado, referindo-se à ação de Piauhy no ABC. A nota foi compartilhada nos stories do perfil oficial de Haddad e aparece em seu feed no Instagram.
'Haddad tem percorrido o Estado com o objetivo que deveria ser de interesse de todos dispostos a disputar as eleições: debater propostas para o desenvolvimento econômico e social para todos os paulistas', diz o PT.
O partido acrescenta que, em ambos os casos, os manifestantes agem de forma semelhante: 'São premeditados, com celulares gravando em diversos ângulos e com provocações para estimular conflitos violentos.'
A Unicamp também se manifestou sobre o ocorrido, afirmando que apura os fatos e que 'a interrupção, por meio de agressões, de uma atividade acadêmica aberta à comunidade é inaceitável e contraria os princípios mais fundamentais da instituição.'
'Divergências políticas e ideológicas são bem-vindas e devem ser expressas dentro do respeito mútuo e das regras do debate acadêmico, jamais por meio de violência ou intimidação. A Universidade permanecerá um espaço livre, seguro e plural para a construção do conhecimento e o exercício da cidadania', diz a nota divulgada pela instituição.
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