Política

Pré-candidato ao Senado pela UP, Alexandre Fleming protesta contra censura com tarja preta na boca

Professor e jornalista publicou vídeo nas redes sociais denunciando o clima de silenciamento em Alagoas e relembrando o caso dos R$ 117 milhões do Iprev de Maceió aplicados no Banco Master

Redação 03/07/2026
Pré-candidato ao Senado pela UP, Alexandre Fleming protesta contra censura com tarja preta na boca
Com tarja preta na boca, Fleming protesta contra censura em Alagoas

O professor e jornalista Alexandre Fleming, pré-candidato ao Senado da República pela Unidade Popular (UP), fez um protesto simbólico nesta sexta-feira, 03, em suas redes sociais, contra a censura imposta à imprensa em Alagoas.

No vídeo, Fleming aparece com uma tarja preta cobrindo a boca, numa imagem forte e direta sobre o clima vivido por jornalistas, veículos de comunicação e criadores de conteúdo que vêm tratando de temas sensíveis da política alagoana.

A manifestação faz referência, principalmente, às ações judiciais movidas pelo ex-prefeito de Maceió JHC e pela federação partidária ligada ao grupo político que ele preside em Alagoas, esta especialmente no campo da Justiça Eleitoral. Para parte da imprensa, essas ações têm criado um ambiente de pressão contra quem tenta noticiar, comentar ou questionar fatos de interesse público.

Enquanto a tarja cobre a boca do jornalista, textos aparecem na imagem relembrando o escandaloso episódio envolvendo o Iprev de Maceió. O instituto previdenciário dos servidores municipais aplicou R$ 117 milhões de recursos do fundo previdenciário no Banco Master, operação que passou a ser alvo de questionamentos públicos e políticos.

O caso provoca uma pergunta que ainda ecoa na sociedade: quem foi o responsável pela negociação que colocou dinheiro dos aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió no Banco Master?

A cobrança é ainda mais sensível porque envolve recursos previdenciários. Não se trata de dinheiro comum do orçamento. São valores ligados ao futuro de servidores, aposentados e pensionistas do município. Por isso, jornalistas e veículos de comunicação defendem que o tema deve ser tratado com transparência, investigação e ampla liberdade de informação.

O protesto de Alexandre Fleming ganha peso também por sua condição de professor, jornalista e pré-candidato ao Senado. Ao aparecer com a boca coberta por uma tarja preta, ele transforma a crítica política em imagem: a imprensa querendo falar, mas sendo impedida por decisões judiciais e ações movidas por grupos políticos.

A mensagem central do vídeo é clara: em Alagoas, falar sobre o caso Iprev/Banco Master virou motivo de disputa judicial.

Nos últimos meses, veículos de comunicação, jornalistas e perfis de redes sociais têm enfrentado ações após abordarem o episódio. Em alguns casos, conteúdos foram retirados do ar por decisão judicial. Para profissionais da imprensa, a repetição desse tipo de medida cria um efeito perigoso: a autocensura.

Quando um jornalista deixa de publicar por medo de processo, quando um veículo evita uma pauta por receio de nova liminar, ou quando uma opinião crítica passa a ser tratada como ataque, quem perde é a sociedade.

O caso do Iprev de Maceió exige respostas. Quem autorizou a aplicação? Quais critérios técnicos foram usados? Houve pareceres? Quem participou da negociação? Qual foi o risco assumido? Houve prejuízo ao fundo previdenciário?

Essas perguntas são legítimas. E, em uma democracia, perguntas feitas pela imprensa não podem ser tratadas como crime, perseguição ou propaganda eleitoral apenas porque incomodam autoridades, ex-gestores ou grupos políticos.

O vídeo de Alexandre Fleming, com a tarja preta sobre a boca, resume o momento: uma imprensa pressionada, uma sociedade cheia de dúvidas e um caso milionário que ainda precisa ser explicado.

A Tribuna do Sertão reafirma que recursos previdenciários, aplicações financeiras feitas por órgãos públicos e eventuais prejuízos aos cofres de fundos municipais são temas de evidente interesse público.

Questionar não é atacar.

Cobrar explicações não é crime.

Informar a sociedade não é abuso.

O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.

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