Política
PF cumpre 14 mandados contra desvio de recursos da saúde no Rio
Segunda fase da Operação Anáfora apura lavagem de dinheiro ligada a contratos da Secretaria de Saúde de Duque de Caxias
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 30, a segunda fase da Operação Anáfora, que investiga lavagem de dinheiro proveniente de desvios de recursos públicos na área da saúde no Rio de Janeiro.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão. Dez deles foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal e outros quatro pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).
As diligências ocorrem em endereços ligados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias.
“Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos que venham a surgir no decorrer das investigações”, informou a PF, em nota.
Segundo a corporação, a investigação sobre lavagem de dinheiro foi aprofundada após a primeira fase da operação, realizada em 2022. Na ocasião, os policiais identificaram indícios de que investigados mantinham bens próprios em nome de terceiros, faziam despesas incompatíveis com a renda declarada e participavam de negociações envolvendo imóveis.
A primeira fase da Operação Anáfora apurou suposto favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria de Saúde de Duque de Caxias, em contratos que somam R$ 563,5 milhões. À época, a PF teve como um dos alvos o então candidato a vice-governador do Rio de Janeiro Washington Reis (MDB-RJ), companheiro de chapa do governador Cláudio Castro (PL-RJ).
Durante a ação realizada em 2022, um fuzil foi apreendido na casa de Reis. Além disso, R$ 700 mil em dinheiro e cheques foram encontrados na residência do ex-secretário de Saúde de Duque de Caxias, José Carlos de Oliveira.
De acordo com a Polícia Federal, a apuração aponta que a cooperativa de trabalho pertenceria a uma “estruturada e complexa organização criminosa” que atuaria no Estado do Rio de Janeiro em um contexto de corrupção sistêmica, com desvio de recursos públicos, especialmente na área da saúde, há décadas.
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