Política

Moraes dá 15 dias para a PGR se manifestar sobre conclusão da PF de que Flávio caluniou Lula

Estadao Conteudo 29/06/2026
Moraes dá 15 dias para a PGR se manifestar sobre conclusão da PF de que Flávio caluniou Lula
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) deu 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse sobre a conclusão da Polícia Federal de que o senador Flávio Bolsonaro cometeu crime de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão é de sexta-feira, 26 e foi publicada no processo nesta segunda-feira, 29.

A investigação teve origem num pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que indicou que, em 3 de janeiro deste ano, Flávio Bolsonaro publicou imagens que associavam o então presidente da Venezuela, o ditador Nicolás Maduro, ao presidente Lula, utilizando o seguinte texto: "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudulentas...".

Em sua defesa, a defesa de Flávio Bolsonaro apresentou uma série de requisitos solicitando a oitiva de testemunhas. Os nomes solicitados incluíam a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, o procurador-geral dos Estados Unidos Walter Joseph Clayton, o senador Sérgio Moro, o ex-procurador Deltan Dallagnol, e o próprio presidente Lula.

A defesa também queria que Flávio fosse ouvido apenas depois que as oitivas fossem realizadas. Os pedidos foram indeferidos pelo delegado em maio, com o argumento de que as diligências seriam "absolutamente inócuas" para o resultado do inquérito e mataram "caráter meramente protelatório". Ou seja, tinha o objetivo de atrasar o processo. A então defesa recorreu ao próprio STF, mas Moraes também rejeitou o pedido.

Para a Polícia Federal, o crime de calúnia ficou configurado na postagem de Flávio.

“Temos uma situação em que o Senador afirma que o Presidente Lula será delatado, referindo-se claramente ao instituto da colaboração premiada, a qual só é possível se uma pessoa a ser delatada participou do cometimento de um crime. de tráfico internacional de drogas e por tal fato seria delatado por Maduro", diz.

Para a Polícia Federal, "fica claro, portanto, que o senador Flávio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro".

O crime de calúnia prevê pena de seis meses a um ano e multa. Contudo, as penas aumentam de um terço se o crime é cometido contra o presidente da República ou contra o chefe de governo estrangeiro. Além disso, se o crime for cometido ou divulgado nas redes sociais, como é o caso em discussão, aplica-se em triplo a pena.