Política

Jaques Wagner deixa Palácio da Alvorada após reunião com Lula

Senador se reuniu por cerca de duas horas com o presidente em meio a discussões sobre sua permanência na liderança do governo no Senado.

Estadao Conteudo 24/06/2026
Jaques Wagner deixa Palácio da Alvorada após reunião com Lula
Jaques Wagner (PT-BA) - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou o Palácio da Alvorada às 16h40 desta quarta-feira, 24, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro durou cerca de duas horas.

Lula discutiu com Wagner o futuro do senador na liderança do governo no Senado. Na semana passada, o parlamentar foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, no âmbito das investigações sobre supostas fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master.

As lideranças do governo são cargos de representação dos interesses do Poder Executivo no Congresso Nacional. Na Câmara, o líder é o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Caso Wagner deixe a função, o governo deverá indicar um substituto para a liderança no Senado.

Na semana passada, Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do petista no esquema. A PF suspeita que Wagner tenha recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somariam R$ 3,5 milhões, por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.

Em nota, Wagner negou ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira durante seu mandato parlamentar. Sobre o imóvel citado pela Polícia Federal, o senador afirmou que ele não integra seu patrimônio.

Lula se irritou com Wagner após o senador declarar à BandNews que havia conversado com o presidente da República depois da operação da Polícia Federal. Na ocasião, Wagner disse ter recebido apoio de Lula.

O Estadão mostrou que aliados do presidente avaliaram que a operação contra Wagner atingiu politicamente Lula, por reacender no eleitorado a associação do PT a casos de corrupção, como os escândalos do mensalão e do petrolão.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, o PT da Bahia e parlamentares da bancada petista defenderam a presunção de inocência de Wagner. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também defendeu que qualquer responsabilização ocorra apenas após o trânsito em julgado.

Wagner é um dos aliados políticos mais antigos de Lula em Brasília. Os dois são amigos desde a década de 1970 e têm origem no movimento sindical: Lula, entre os metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP), e Wagner, entre os trabalhadores da indústria petroquímica da Bahia.

Jaques Wagner foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais no primeiro mandato de Lula. Em 2006, foi eleito governador da Bahia. Em 2010, conquistou a reeleição e, em 2014, ajudou a eleger seu sucessor, Rui Costa. Wagner também foi ministro da Casa Civil da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e chegou a entregar o cargo, em 2016, para que Lula fosse nomeado em seu lugar — nomeação que acabou impedida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).