Política

Em BH, Lula não comenta operação da PF contra Jaques Wagner

Presidente discursou sobre programas do governo, SUS, pandemia, violência contra a mulher e futebol, mas evitou tratar das denúncias contra o líder do governo no Senado

Estadao Conteudo 19/06/2026
Em BH, Lula não comenta operação da PF contra Jaques Wagner
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não comentou, durante evento nesta sexta-feira (19), em Belo Horizonte, a operação da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Ao anunciar investimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) na área de oncologia em um hospital da capital mineira, Lula falou sobre programas do governo, a pandemia de covid-19, violência contra a mulher e até futebol, com referências à convocação de Neymar e à trajetória de Marta na Seleção Feminina. O presidente, no entanto, não tratou das denúncias envolvendo o aliado e amigo.

Como mostrou o Estadão, o Palácio do Planalto desaprovou a estratégia adotada por Jaques Wagner, que citou Lula ao se defender das acusações.

Em entrevista à BandNews, o senador afirmou que Lula não irá retirá-lo da liderança do governo no Senado, em uma tentativa de demonstrar confiança do presidente. Auxiliares de Lula, porém, avaliam que a situação de Wagner no cargo é delicada e pode se tornar insustentável.

Jaques Wagner foi alvo de operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os investigadores, ele teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e propina de R$ 3,5 milhões de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Em troca, o senador e líder do governo atuaria em favor da instituição no Congresso.

A assessoria de Jaques Wagner divulgou nota após a operação negando irregularidades. A defesa sustenta que o senador não atuou em favor do Banco Master e que está à disposição das autoridades.

'500 anos de desmazelo não se consertam em 15 anos'

No discurso em Belo Horizonte, Lula afirmou que “500 anos de desmazelo não se consertam em 10 ou 15 anos” e reconheceu que “ainda tem muito problema no Brasil”. A frase segue uma linha de comunicação que o governo tem adotado em peças publicitárias nas últimas semanas.

“Sabemos que ainda tem muito problema no Brasil. Sabemos que 500 anos de desmazelo não se consertam em 10 ou 15 anos, mas queremos dizer que esse País nunca mais verá o povo pobre ser tratado como se fosse de terceira classe”, declarou o presidente.

O discurso busca reconhecer que problemas apontados pela população não são ignorados pela gestão federal, ao mesmo tempo em que tenta afastar do governo a responsabilidade exclusiva por dificuldades enfrentadas no cotidiano.

Elogios ao SUS

Lula também elogiou o Sistema Único de Saúde e afirmou que o SUS “estava preparado” para dar suporte à população durante a pandemia de covid-19.

“O SUS, por muito tempo, foi atacado, desmoralizado. Só mostravam o SUS com gente no corredor e dormindo no chão. Como Deus é grande e escreve certo por linhas tortas, aconteceu uma desgraça neste País, que foi a covid-19. Quando a covid chegou, quem estava preparado? O SUS, com seus funcionários, enfermeiros, médicos, motoristas, limpadoras”, afirmou.

Neymar, Marta e Seleção

Na parte final do evento, Lula brincou com uma criança sobre preferências futebolísticas. Ao falar sobre a importância do respeito dos homens pelas mulheres, exaltou a jogadora Marta, eleita várias vezes a melhor do mundo.

O presidente perguntou ao menino quem seria o melhor jogador da atual seleção masculina. Ao ouvir o nome de Neymar, Lula ironizou, em referência à convocação do atleta para a Seleção Brasileira: “Eu vi uma coisa ontem, que o Neymar é o primeiro convocado home office do mundo”, disse.