Política

EUA classificam condenação de Eduardo Bolsonaro no STF como “perseguição”

Departamento de Estado afirmou que decisão integra um suposto padrão de “lawfare” contra opositores políticos no Brasil; Lula reagiu e pediu que Trump não interfira nas eleições brasileiras

Estadao Conteudo 19/06/2026
EUA classificam condenação de Eduardo Bolsonaro no STF como “perseguição”
Eduardo Bolsonaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O governo dos Estados Unidos criticou as publicações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou a decisão como um caso de “perseguição e manipulação jurídica” contra adversários políticos.

Em declaração à Reuters, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que o caso de Eduardo faz parte de um “padrão de perseguição e guerra jurídica (lawfare) dos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos” .

O representante do governo de Donald Trump acrescentou que “os debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, não por condenações judiciais” .

A Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro, nesta terça-feira (16), por coação no curso do processo. A decisão foi unânime. Ele foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. A Defensoria Pública da União, responsável por sua defesa após ele não indicar advogado, ainda pode recorrer.

Os ministros entenderam que o ex-deputado atuou para estimular a avaliação dos Estados Unidos contra as autoridades brasileiras e criar um ambiente de pressão e intimidação sobre os integrantes da Corte. Segundo a acusação, o objetivo foi interferir no julgamento da trama golpista, que foi comprovada nas denúncias de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e dificultar sua responsabilização.

Um dia após as reportagens, o presidente Donald Trump comentou o caso durante a cúpula do G7, na França. Ao tratar do assunto, ele aparentemente confundiu Eduardo com seu irmão, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

"Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a uma carga hoje. Descobri isso depois que fomos embora. Acabei de me despedir dele e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prendê-lo" , disse Trump.

Questionado sobre suas interações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no evento em Évian-les-Bains, Trump respondeu: “Passei bastante tempo com ele, na verdade. E o país é um pouco complicado, não é? Politicamente. Está um pouco perigoso politicamente” .

Em resposta, Lula afirmou, durante coletiva de imprensa, que Trump “conhece um pouco o Brasil” e pediu que ele não se envolvesse nas eleições brasileiras.

"Para mim, ele pode gostar de continuar do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, afinal, gosto não se discutir. Só não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são problema do Brasil, assim como as eleições dos Estados Unidos são problema dos Estados Unidos" , declarou Lula.