Política
Ministro da SRI reforça autonomia da PF e diz que apuração seguirá ‘doa a quem doer’
José Guimarães afirmou que o governo recebeu com naturalidade operação que fez buscas em endereços de Jaques Wagner
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) do governo Lula, José Guimarães, afirmou nesta quinta-feira (18), em entrevista coletiva em Aracaju (SE), que as investigações da Polícia Federal (PF) sobre as fraudes bilionárias atribuídas ao Banco Master devem avançar “doa a quem doer”. A declaração foi dada ao ser questionado sobre a nona fase da Operação Compliance Zero, que realizou buscas e apreensões em endereços do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
“O nosso governo tem uma orientação clara: apura-se tudo, doa a quem doer. Buscar cada vez mais a transparência, que é uma atitude do nosso governo. Transparência total, investigação total”, afirmou Guimarães, responsável pela articulação política entre o Poder Executivo e o Legislativo. A entrevista coletiva foi divulgada na conta do ministro na rede social X.
Guimarães disse ainda que o governo recebeu a operação da PF envolvendo Wagner com “absoluta naturalidade”. Apesar de um dos aliados mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecer entre os investigados no caso, o ministro da SRI reforçou o discurso de que as suspeitas tiveram origem no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O governo anterior é o grande responsável, e nós queremos que as investigações aconteçam com todo rigor, porque a Polícia Federal tem autonomia para investigar. Recebemos com absoluta naturalidade, porque no nosso governo a Polícia Federal tem autonomia para investigar”, declarou.
O ministro também afirmou que Wagner terá “toda a proteção” para apresentar sua defesa diante dos indícios apontados pela PF. “É uma liderança importante e ele terá todo o direito e a nossa proteção para se explicar e dar a versão dele sobre esse fato”, disse.
A fala de Guimarães reforça a estratégia do governo Lula diante do episódio, antecipada pelo Broadcast Político. A orientação é sustentar que a PF tem autonomia para investigar todas as frentes do caso Banco Master e que a independência conferida pelo presidente à corporação vale tanto para apurações sobre adversários quanto sobre aliados.
A nona fase da Operação Compliance Zero investiga os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação de Jaques Wagner no esquema. A PF suspeita que o senador tenha recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somariam R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.
Segundo os investigadores, a estrutura teria sido usada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes apuradas pela Compliance Zero.
A investigação também avalia se Jaques Wagner teria usado sua atuação parlamentar para defender pautas de interesse do Banco Master no Congresso. De acordo com os investigadores, o senador teria tratado diretamente com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição, sobre propostas que poderiam beneficiar o banco controlado por Daniel Vorcaro.
Durante a operação, os policiais apreenderam US$ 55 mil e 33,5 mil euros em endereços ligados a Wagner. Somados e convertidos, os valores chegam a aproximadamente R$ 485 mil. Jaques Wagner nega irregularidades e afirma acompanhar as investigações com tranquilidade.
Como mostrou o Broadcast Político, uma ala do governo defende que Wagner deixe a liderança do governo no Senado para reduzir eventuais desgastes em ano eleitoral. Esse grupo, que acumula atritos com o senador baiano desde a derrota da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), já considera um possível substituto para o posto: o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE).
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