Política
Finep libera R$ 75 milhões para projetos aeroespaciais da indústria de defesa
Recursos vão apoiar monitoramento marítimo avançado e o desenvolvimento de um lançador nacional de pequenos satélites
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação formalizaram, nesta quinta-feira, 18, contratos que somam quase R$ 75 milhões para projetos aeroespaciais da indústria de defesa. Os recursos serão destinados à ampliação da capacidade de monitoramento marítimo do País e ao desenvolvimento de um veículo lançador de satélites.
Do total, R$ 49,7 milhões serão destinados à Iacit, empresa brasileira especializada em radares além do horizonte — tecnologia capaz de detectar embarcações e aeronaves a grandes distâncias, para além do limite imposto pela curvatura da Terra. Outros R$ 25 milhões irão para o Bizu Space, em atividades relacionadas ao Micro Lançador Brasileiro (MLBR).
Os dois projetos estão entre os primeiros aprovados na segunda rodada da chamada Mais Inovação Brasil, voltada para a Base Industrial de Defesa.
A formalização dos contratos ocorreu durante a SpaceBR Show, realizada em São Paulo, com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. Em entrevista ao Broadcast, ela afirmou que o apoio às iniciativas do setor busca ampliar a capacidade tecnológica nacional e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras. “Não existirá soberania sem domínio tecnológico” , declarou a ministra.
No caso da Iacit, os recursos serão aplicados no projeto Manta (Monitoramento Avançado Naval com Tecnologia Adaptativa), voltado ao fortalecimento do monitoramento marítimo brasileiro. “Somos a única empresa brasileira com essa tecnologia, dominada por poucos países no mundo” , afirmou o CEO da Iacit, Luiz Carlos Paiva Teixeira.
O MLBR, por sua vez, é desenvolvido por um consórcio de empresas brasileiras do setor aeroespacial e tem como objetivo criar um veículo lançador de pequeno porte, capaz de colocar pequenos satélites em órbita a partir do território nacional. O Espaço Bizu está entre os participantes da iniciativa.
Os recursos liberados financiarão o desenvolvimento de um terceiro estágio com propulsão líquida para o lançador. O projeto também prevê tecnologias que poderão ser utilizadas futuramente em foguetes de maior capacidade. Em 2023, a iniciativa já havia recebido cerca de R$ 180 milhões da Finep.
Para o cofundador e diretor financeiro da Bizu Space, Raphael Galate, os investimentos da Finep ajudam a contribuir para a retomada do setor espacial brasileiro após um longo período de baixo desenvolvimento no País. "Agora o Brasil está super bem posicionado. Temos muito talento, profissionais específicos e uma posição privilegiada para fazer lançamentos" , afirmou.
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