Política

Durigan diz que Jaques Wagner vai conseguir “se explicar e se defender”

Secretário-executivo da Fazenda afirmou estar tranquilo e disse acreditar que o líder do governo no Senado prestará esclarecimentos à Justiça

Estadao Conteudo 18/06/2026
Durigan diz que Jaques Wagner vai conseguir “se explicar e se defender”
O ministro da Fazenda, Dario Durigan - Foto: Reprodução / Agência Brasil

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (18) acreditar que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), conseguirá “se explicar e se defender” após ser alvo de uma operação da Polícia Federal.

“Estou muito tranquilo com isso e acho que o senador Jaques Wagner vai prestar os esclarecimentos devidos à Justiça”, disse Durigan, em entrevista ao portal Metrópoles.

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta, mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wagner, em uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master e ao dono da instituição, Daniel Vorcaro. O baiano Augusto Lima, ex-sócio do ex-banqueiro, também é alvo da ação.

Segundo a investigação, a PF suspeita que Wagner teria recebido um imóvel e pagamentos de propina por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. A estrutura, de acordo com os investigadores, teria sido usada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes apuradas na Compliance Zero.

Wagner foi governador da Bahia entre 2007 e 2014, período em que implementou o Credcesta, sistema de crédito consignado para servidores públicos vinculado à Cesta do Povo, rede de supermercados do governo estadual. Posteriormente, o Credcesta foi levado ao Banco Master por Augusto Lima e se tornou um dos principais ativos da instituição.

Ao responder a uma pergunta sobre o caso, Durigan afirmou que a situação de Wagner é “muito diferente” da de pessoas que teriam atuado para ampliar o limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A declaração foi interpretada como uma crítica ao senador e ex-ministro do governo Bolsonaro, Ciro Nogueira (PP-PI), também investigado no esquema.

Durigan voltou a dizer que o escândalo envolvendo o Banco Master foi gestado no período em que o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comandou a autoridade monetária, entre 2019 e 2024. Segundo ele, a autorização para que Vorcaro assumisse o controle do banco ocorreu em 2019, e a expansão dos negócios se deu a partir daquele ano até 2024.