Política
Comissão mista aprova mudanças na MP do Frete
Parecer reforça fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e prevê salário nacional de R$ 5 mil para motoristas de longa distância
A comissão mista formada por senadores e deputados federais para analisar a Medida Provisória 1.346/2026 aprovou, nesta quarta-feira (17), o parecer do deputado Zé Trovão (PL-SC). O texto reforça os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário e prevê a instituição de um piso salarial nacional para motoristas de longa distância.
Com as alterações feitas durante a análise, a medida provisória foi transformada em projeto de lei de conversão (PLV). A matéria seguirá agora para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, respectivamente.
Fiscalização
Em vigor desde março, a MP 1.346/2026 foi editada pela Presidência da República com o objetivo de fortalecer a fiscalização da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.
Para isso, o texto torna obrigatório o registro de todas as operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que reúne informações sobre contratante, transportador, origem e destino da carga e valor do frete.
O sistema deverá impedir a emissão do código quando a contratação registrar valor inferior ao piso mínimo definido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Parecer
O parecer aprovado pela comissão mista mantém a estrutura da medida provisória, mas promove mudanças em pontos considerados estratégicos para o setor.
Uma das alterações modifica a Lei 13.103, de 2015, que regulamenta a profissão de motorista. Entre as medidas previstas estão:
• piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas empregados no transporte rodoviário de cargas de longa distância;
• ampliação das ações apoiadas pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), incluindo renovação e modernização da frota, implantação de pontos de parada e descanso, qualificação profissional, inovação tecnológica, segurança viária e melhoria das condições de trabalho;
• criação, no âmbito do Procargas, da Política Nacional Permanente de Renovação da Frota de Veículos de Transporte Rodoviário de Cargas (PNPR-Cargas);
• prioridade para transportadores autônomos de cargas (TACs) e cooperativas de transporte de cargas no acesso a ações, financiamentos, incentivos e programas vinculados ao Procargas.
Entre as demais mudanças, o parecer detalha a metodologia que deverá ser utilizada pela ANTT para calcular os pisos mínimos de frete. O texto também determina a publicação semestral das planilhas e das memórias de cálculo.
A proposta amplia ainda as regras relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que passará a registrar informações sobre a forma e o prazo de pagamento do frete.
Frete adiantado
O parecer assegura aos transportadores autônomos de cargas o adiantamento de pelo menos 70% do valor do frete no momento da contratação. O saldo deverá ser pago em até três dias úteis após a entrega da carga.
A comissão mista responsável pela análise da MP 1.346/2026 foi instalada em 9 de junho. Na mesma data, foram eleitos o vice-presidente, o relator e o relator-revisor do grupo. O presidente da comissão, senador Carlos Fávaro (PSD-MT), foi eleito nesta quarta-feira.
Vitória Clementino, sob supervisão de Dante Accioly
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