Política

Pesquisa aponta que 56% votariam em candidato contra a “taxa das blusinhas”

Levantamento da Proteste mostra que 92% dos consumidores consideram correta a revogação definitiva do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50

Estadao Conteudo 17/06/2026
Pesquisa aponta que 56% votariam em candidato contra a “taxa das blusinhas”
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma pesquisa nacional realizada em maio pela Proteste aponta que a maioria dos entrevistados, 56% , afirma que votaria em um candidato que defendesse o fim da chamada "taxa das blusinhas". O percentual de consumidores que relaciona a escolha do candidato ao tema, seja para cargas do Executivo ou do Legislativo, chega a 63% no Sudeste e a 57% no Sul. Entre os consumidores das classes C e D, o índice é de 57%.

O assunto voltou ao centro do debate após o Executivo editar, em 12 de maio, uma medida provisória (MP) para fixar a alíquota de 20% do imposto de importação cobrado sobre remessas postais internacionais de até US$ 50, valor equivalente a pouco mais de R$ 250.

Em vigor desde a publicação, a MP precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até 8 de setembro para ser convertida definitivamente em lei, um mês antes das eleições. Caso contrário, o texto perde validade e a cobrança será restabelecida.

Obtido com exclusividade pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o levantamento da Proteste — associação brasileira de defesa do consumidor e integrante do Grupo Euroconsumers — buscou medir o impacto da "taxa das blusinhas" entre os consumidores.

Segundo o estudo, 92% dos consumidores decidiram correta a decisão de acabar definitivamente com a tributação . O percentual sobe para 97% no Sudeste e 94% no Nordeste. Para 88% dos entrevistados, o Congresso deveria tratar o tema como prioridade.

Uma pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 21 de maio de 2026, durante a divulgação do fim da tributação pelo governo, com 1.300 consumidores com renda familiar mensal superior a R$ 1.600. Foram realizadas entrevistas presenciais em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém e Manaus, cidades com maior concentração de consumidores de plataformas online.

“A cobrança de imposto de importação sobre compras de até US$ 50 pelo comércio eletrônico transfronteiriço é uma das maiores injustiças tributárias do Brasil, desrespeitando todos os princípios de tributação e penalizando os consumidores mais pobres”, afirmou o diretor-executivo da Proteste, Henrique Lian. Ele defendeu que o consumidor esteja no centro do debate.

"Reafirmamos que não é uma pessoa física que realiza pequenas compras no varejo que deve arcar com a proteção de setores que são grandes importadores no atacado. Isso não é igualdade tributária, mas sim injustiça tributária", completou.

A pesquisa também avaliou a percepção do público sobre a cobrança. Ao todo, 75% dos entrevistados não compartilham apenas a incidência de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50. Entre consumidores das classes C e D, o índice chega a 79%. No Nordeste, 80% afirmam que a tributação é injusta.

A sensação de desequilíbrio permanece quando a cobrança é comparada às regras aplicadas aos viajantes internacionais. Para 68% dos entrevistados, é desproporcional que pessoas que viajam ao exterior possam entrar no País com até US$ 1.000 em produtos sem pagar imposto, enquanto fazem compras online internacionais de até US$ 50 sujeitos sujeitos à tributação.

Consumo da pedra

Em julho de 2023, a Receita Federal lançou o programa Remessa Conforme, uma espécie de plano de conformidade criado com o objetivo oficial de regularizar transações internacionais entre pessoas físicas e jurídicas em troca da gratuita para compras de pequeno valor, de até US$ 50. O programa teve adesão dos principais varejistas, como Shein, Shopee, AliExpress, Mercado Livre e Amazon, e foi considerado bem sucedido pelo Fisco.

No primeiro semestre de 2024, deputados e senadores, sob forte pressão do varejo nacional — que acusavam a importação isenta de provocar prejuízos internos —, incluíram a cobrança de 20% de imposto de importação sobre essas compras no projeto de lei que regulamentava o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), de autoria do Poder Executivo. A articulação reuniu o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e ministros da área econômica.

Embora tenha afetado o poder de compra dos brasileiros, especialmente das classes C e D, uma pesquisa mostra que as compras internacionais já fazem parte da rotina de consumo da população. Ao todo, 82% dos entrevistados disseram ter comprado em sites internacionais nos três meses anteriores à pesquisa, antes mesmo da revogação. O índice ainda é maior no Norte (85%) e no Nordeste (84%), regiões onde esse tipo de consumo aparece com forte presença entre os entrevistados.

Após a criação da “taxa das blusinhas”, 45% dos entrevistados afirmaram ter reduzido as compras em plataformas internacionais. Outros 38% disseram que continuaram comprando da mesma forma, enquanto 9% disseram ter deixado de comprar nesses sites.

Em 2024, a arrecadação com a alíquota de 20% do imposto de importação foi de R$ 2,89 bilhões. Em 2025, o valor subiu para R$ 4,72 bilhões. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, foram arrecadados cerca de R$ 1,86 bilhão com a medida. Por se tratar de um imposto de caráter regulatório, a autorizado não exige medidas de compensação.