Política
Lula diz que Trump conhece pouco o Brasil e pede respeito às eleições
Presidente afirmou que norte-americano não deve interferir no processo eleitoral brasileiro e defendeu o sistema de urnas eletrônicas do país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “conhece um pouco o Brasil” e disse que os norte-americanos “poderiam aprender com o Brasil” sobre como realizar “eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas”. Lula também cobrou que Trump “não se meta nas eleições do Brasil” e respeite a soberania brasileira.
"Ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil. O Bolsonaro já está preso", declarou Lula.
O presidente brasileiro defendeu o sistema eleitoral do país e destacou a rapidez da purificação por meio das urnas eletrônicas.
“Não tem país do mundo, e os EUA poderiam aprender com o Brasil, de eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país do mundo que tenha sistema de urnas eletrônicas mundos como o nosso, em que duas horas depois de terminar as eleições já sabemos quem são os eleitos. A gente não fica como no século passado, com voto no papel, uma lista com 500 nomes. Então, se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil é meu amigo Trump”, afirmou.
Lula ainda brincou ao dizer que, na próxima vez em que se encontrar com o presidente norte-americano, vai “levar uma urna eletrônica para mostrar para ele como funcionar”.
O petista acrescentou que Trump “tem o direito de ter as escolhas eleitorais e ideológicas dele”, mas reforça que espera o respeito à soberania brasileira.
“Só espero que ele não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas na sua soberania. Só espero isso. Ele pode continuar gostando do Bolsonaro pai, filho, neto. Não tem nenhum problema, é problema dele, afinal de contas gosto não se discute. Mas não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil, como as eleições americanas são um problema deles, não meu. A única coisa que quero é respeito pelo Brasil, como eu tenho pelos Estados Unidos”, declarou.
A declaração foi dada em entrevista coletiva à imprensa antes de Lula deixar Genebra, na Suíça, para retornar ao Brasil. A fala foi uma resposta a Trump, que havia afirmado que o Brasil é um “país duro politicamente” e “um pouco perigoso politicamente”.
"Tem sido feio, ouvi que eles prenderam alguém que está concorrendo à Presidência. Ouvi que prenderam o Bolsonaro Jr., ele estava indo bem nas pesquisas", disse o norte-americano, em entrevista coletiva após o G7. Trump confundiu Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal condenado nesta terça-feira, 16, pelo Supremo Tribunal Federal, com seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), este, sim, pré-candidato à Presidência.
O presidente dos Estados Unidos completou: “Eles jogam pesado, mas ninguém joga mais duro que os Estados Unidos”.
Não pedi bilateral para o Trump porque ainda estamos em negociação
Durante a coletiva, Lula também afirmou que não solicitou uma reunião bilateral com Donald Trump porque o Brasil ainda está em negociação com os Estados Unidos sobre tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Segundo ele, Trump fez uma “coisa desaforada” contra o Brasil e tem conhecimento disso.
"Eu não pedi bilateral com o Trump porque nós estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil e ele sabe disso. Por isso que eu digo que ele ainda continua satisfeito como um imperador", declarou.
Lula disse ainda que Trump não é um bom ouvinte em reuniões e que, por esse motivo, entregou documentos por escrito durante o último encontro que teve com ele, na Casa Branca, no início de maio.
"O presidente Trump fala muito e ouve pouco. Então, eu fiz questão de entregar para ele, por escrito, o que queremos para combater o crime organizado, sobre questões de terras raras e minerais críticas e a questão do comércio", afirmou.
O presidente brasileiro disse ter expectativa de alcançar um acordo com os Estados Unidos, apesar de ter sido classificado como um “rompante contra o Brasil”. Lula afirmou que pode telefonar para Trump caso as negociações atuais não avancem.
“Estamos negociando e, na hora que terminar a negociação, se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone, ligar para o Trump outra vez e marcar outra conversa”, disse.
Lula voltou a afirmar que Trump desconhece a realidade brasileira se sua visão for baseada apenas no que é dito pela família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O presidente brasileiro participou da Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, iniciada nesta terça-feira, 16. Nas reuniões, Lula discutiu o avanço da inteligência artificial e o desenvolvimento econômico de países emergentes.
Segundo Lula, ele não se comunicou com Trump durante a cúpula porque, em encontros desse tipo, não é possível contatar os presidentes de todos os países.
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