Política
Presidente do PT descarta apoio de Lula ao pai de Hugo Motta na disputa pelo Senado na Paraíba
Edinho Silva afirmou que os candidatos do presidente no Estado são João Azevêdo e Veneziano Vital do Rêgo; Nabor Wanderley ficou fora da lista
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira, 16, que os dois candidatos ao Senado apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Paraíba são João Azevêdo (PSB) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). A declaração deixa de fora o prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos).
Edinho participou de um almoço organizado por quatro frentes parlamentares: Brasil Competitivo, Empreendedorismo, Tecnologia e Atividades Nucleares, e Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria.
Durante o evento, o dirigente petista foi questionado sobre um vídeo gravado por Lula ao lado de Veneziano. Na resposta, Edinho citou também a gravação feita pelo presidente em apoio a João Campos (PSB) na disputa pelo governo de Pernambuco e classificou o gesto como natural.
"O presidente Lula sempre foi muito correto ao anunciar que, na Paraíba, ele tinha dois candidatos ao Senado: o João Azevêdo e o Veneziano. Então, isso nunca foi omitido", declarou.
Segundo Edinho, a posição de Lula não significa rompimento ou falta de diálogo com Nabor Wanderley. "Não significa que ele não respeite o Nabor, que ele não terá uma relação de cordialidade com o Nabor, que ele não possa debater o futuro com o Nabor. Mas, neste momento, ele tem que reconhecer o papel que o Veneziano cumpriu no Senado para o seu governo e as relações históricas que ele tem com o João Azevêdo", afirmou.
Para o presidente do PT, a movimentação de Lula não deve criar problemas com Hugo Motta, mesmo em um contexto de dificuldades do governo no Congresso, especialmente diante da relação turbulenta com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Motta tem contribuído para o avanço de pautas de interesse eleitoral do petista, como o fim da escala 6x1.
Na avaliação de Edinho, também é natural que Alcolumbre tenha, neste momento, posições divergentes das defendidas pelo governo.
"Isso é parte da democracia. A gente não pode fazer disso um problema. Eu penso que as relações que o presidente construiu com o Hugo Motta são sólidas, são relações políticas de interesse do país, portanto, de longo prazo. Não significa que declarar ou gravar um vídeo com um aliado também histórico vá estremecer essa relação", disse.
Edinho ressaltou ainda que Hugo Motta é uma liderança jovem e afirmou que há espaço para novas composições no futuro. "Eu penso que é a primeira eleição que o Nabor disputa ao Senado na Paraíba, portanto, nós temos muito ainda o que construir. Nós temos muito futuro a visualizar", completou.
O presidente do PT também foi questionado sobre o apoio de Lula em Pernambuco. Ele afirmou que o presidente já deixou claro que seu candidato ao governo do Estado é João Campos, mas ponderou que isso não significa qualquer hostilidade à governadora Raquel Lyra.
"Ele tem um respeito muito grande pela governadora, reconhece a liderança dela. Portanto, é uma relação baseada na democracia. Mas o candidato dele em Pernambuco é o João Campos", afirmou.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o palanque de Lula segue indefinido. Edinho indicou que uma composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) não está no radar neste momento.
"O Kalil quer construir a candidatura dele ao governo. No momento em que ele se coloca como candidato a governador, ele interdita composições e outras alianças", afirmou. Na prática, há um atrito entre Kalil e o PT desde a campanha de 2022.
"Nós respeitamos a posição dele e vamos nos encontrar, com certeza, no segundo turno. Mas, neste momento, quando ele se lança, impede que a gente continue dialogando com o PSB, com o PCdoB, com a Rede e com o PSOL", destacou.
Edinho também reiterou a candidatura da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ao Senado. Pesquisa recente do PT de Minas, porém, aponta Marília como o nome mais competitivo para disputar o Palácio Tiradentes, atrás apenas do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que tem dito que não será candidato.
Marília não deseja concorrer ao governo de Minas. Caso não seja convencida por Lula, o candidato do PT no Estado deverá ser o deputado federal Reginaldo Lopes.
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