Política
PGR rejeita segunda proposta de delação de Vorcaro
Procuradoria aponta falta de provas novas e baixa utilidade das informações apresentadas pelo dono do Banco Master
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dias após a Polícia Federal também recusar um acordo com o dono do Banco Master.
Com a nova negativa, os investigadores ampliam a pressão sobre Vorcaro e sinalizam que, ao menos por ora, não há espaço para negociação.
A manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi apresentada nesta segunda-feira, 15. No documento, o órgão aponta que as informações apresentadas pelo banqueiro não trazem provas novas e teriam pouca utilidade para o avanço das investigações.
Na semana passada, a Polícia Federal chegou a conclusão semelhante e comunicou à defesa de Vorcaro que não tinha interesse na proposta de colaboração premiada.
Desde o início das tratativas, investigadores avaliavam que Vorcaro havia apresentado uma proposta de delação seletiva, com omissão de informações já identificadas no curso das apurações.
Como mostrou o Estadão, Vorcaro chegou a justificar a seus advogados que fez pagamentos a políticos em razão de relações de amizade.
A primeira proposta já havia sido recusada pela Polícia Federal e pela PGR. Na ocasião, porém, a equipe de Paulo Gonet manteve a negociação aberta e pediu que a defesa do banqueiro complementasse lacunas do acordo. Depois disso, Vorcaro acrescentou novos fatos e alterou parte das narrativas, mas o material não foi suficiente para convencer os investigadores.
Uma das mudanças, conforme revelou o Estadão, foi a confissão de que teria feito pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) como propina. Na primeira tentativa de delação, o dono do Master afirmava apenas que havia bancado benesses ao senador, como viagens, festas e uma mesada de R$ 300 mil, por sua “relação de amizade” e sem buscar contrapartida. Procurado por meio de sua assessoria, o senador ainda não se manifestou.
Com a rejeição, a tendência é que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determine o retorno de Vorcaro a um presídio comum, após três meses de permanência em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Pela lei, não há impedimento para que Vorcaro apresente uma terceira proposta de delação premiada no futuro. No entanto, a negativa dos dois órgãos fecha as portas neste momento e indica que não deve haver novas conversas por ora.
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