Política
Às vésperas de julgamento, Eduardo Bolsonaro volta a pedir sanções dos EUA contra Moraes
Ex-deputado afirma que STF prepara condenação em retaliação a Donald Trump; ação por coação será analisada nesta terça-feira
Um dia antes de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a pedir, pelas redes sociais, que o governo dos Estados Unidos restabeleça sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal.
Em publicação no X, Eduardo afirmou que o STF estaria se preparando para condená-lo em uma suposta retaliação ao presidente Donald Trump. Segundo ele, “a retomada das sanções contra o violador de direitos humanos Alexandre de Moraes é necessária e urgente”.
“Não sei quem aconselhou a suspensão dessas sanções, mas fazê-lo foi, no mínimo, um grave erro. Moraes está esperando o retorno de uma administração Democrata radical aos Estados Unidos para que, juntos, possam fazer com vocês o mesmo que estão fazendo comigo hoje”, escreveu Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
O ex-deputado também questionou as acusações apresentadas no processo. Para ele, enquadrar suas articulações com integrantes do governo norte-americano como crime equivaleria a considerar membros da administração dos Estados Unidos como participantes de uma organização criminosa.
O julgamento está marcado para esta terça-feira, 16. A Defensoria Pública da União (DPU), que representa Eduardo no processo após ele não indicar advogado particular, pediu ao Supremo que convocasse um ministro da Segunda Turma para participar da análise, já que a Primeira Turma opera com uma cadeira vaga desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Moraes rejeitou o pedido e manteve a data prevista. A ação será analisada pelos ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin e pelo próprio Alexandre de Moraes.
Eduardo responde por coação no curso do processo no período que antecedeu o julgamento da chamada trama golpista, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-deputado atuou nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e interferir no andamento da ação contra o pai.
A acusação sustenta que Eduardo buscou apoio do governo americano para impor medidas contra o Brasil, como sanções e tarifas, em reação ao julgamento. Entre as medidas citadas está a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, mecanismo que bloqueia bens e propriedades em território norte-americano e proíbe a entrada no país.
Eduardo foi citado no processo por edital, procedimento em que o réu é comunicado da ação penal por meio de publicação oficial. Após a designação da Defensoria Pública para sua defesa, foi marcada uma audiência de instrução, com interrogatório por videoconferência. O ex-deputado, porém, não compareceu ao depoimento.
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