Política
Zema nega contato com Vorcaro e diz: “Assombração sabe para quem aparecer”
Pré-candidato do Novo defendeu endurecimento contra facções, criticou indicações ao STF e voltou a prometer privatizações
O pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, defendeu uma postura mais dura contra o crime organizado e afirmou que, mesmo morando na mesma cidade que o banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, nunca se encontrou com o empresário.
“Eu falo que a assombração sabe para quem aparecer. E para mim não apareceu mesmo, e nem vai aparecer. Eu fiz um governo sem escândalo, sem esquema”, disse Zema, durante participação em painel do Fórum Rumos do Brasil, organizado pela revista Veja.
Em seguida, reforçou: “O banqueiro bandido mora em Belo Horizonte, para onde eu me mudei há oito anos. Morando na mesma cidade dele, nunca o encontrei”.
Para Zema, o escândalo envolvendo o Banco Master expôs a ineficiência de instituições de controle no País, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal.
O pré-candidato também afirmou ser favorável à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, em referência à decisão adotada pelos Estados Unidos. Ele defendeu cooperação internacional no combate ao crime, mas destacou que o Brasil também dispõe de quadros capacitados para atuar nessa área.
“Eu enquadraria as facções, organizações criminosas, como organizações terroristas, e colocaria toda a estrutura, todo o aparato de segurança nacional que o governo federal tem: Exército, Aeronáutica, Marinha, Polícia Federal, Coaf, Receita Federal. O Brasil precisa de uma força-tarefa para combater o crime que colocou tentáculos em todos os lugares”, detalhou.
Entre as propostas apresentadas, Zema citou a ideia de impedir a liberdade de criminosos presos pela terceira vez. “Virou uma repetição e um modo de vida”, afirmou. Ele também defendeu maior rigor contra detentos que tentam romper tornozeleiras eletrônicas.
STF
Questionado sobre sua agenda de moralização do Poder Judiciário e de combate aos chamados “intocáveis”, Zema afirmou que se trata de um grande desafio, mas disse ter condições de enfrentá-lo por não ter “rabo preso” com ninguém. Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a criação de uma idade mínima para indicação à Corte.
“Ir para o Supremo é a mesma coisa que ser papa. A gente não vê ninguém chegar lá no Vaticano para ser papa com 35 anos, como acontece aqui no Supremo. Seria o coroamento de uma longa carreira como jurista, ou no mundo acadêmico, para alguém que realmente merece”, declarou.
Zema também criticou o que considera excesso de liberdade do presidente da República para indicar nomes aos tribunais superiores.
Nesse contexto, classificou como “aberração” a indicação, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de seu ex-advogado Cristiano Zanin para o STF. “Você precisa eliminar essas aberrações de o presidente colocar lá o advogado dele, o ministro dele, o advogado do PT, que é o que tem acontecido. Faltou colocar a mulher e o filho só”, reclamou.
Defesa das privatizações
O pré-candidato do Novo voltou a defender uma ampla agenda de privatizações no País. Segundo ele, a intenção é “privatizar tudo” e destinar os recursos arrecadados à redução da dívida pública.
Zema não citou nominalmente quais empresas pretende privatizar. No entanto, em evento realizado na semana passada, em São Paulo, o coordenador da área econômica do Novo para as eleições, Carlos da Costa, afirmou que Petrobras e Banco do Brasil estariam incluídos no plano de privatizações.
“Se privatizar, o dinheiro vai para abater dívida. Só nisso teremos uma economia gigantesca. A dívida pública está caminhando para R$ 10 trilhões e, com essa taxa de juros, o governo está gastando R$ 1,5 trilhão por ano de juros”, disse Zema.
Emendas parlamentares
O ex-governador de Minas Gerais também criticou o volume de recursos destinados às emendas parlamentares no Orçamento e defendeu maior controle na concessão de benefícios sociais.
Impostos
Entre as propostas para um eventual governo, Zema mencionou a necessidade de reduzir impostos para atrair investimentos em áreas estratégicas, como a transformação digital.
Nesse sentido, afirmou que pretende reduzir a alíquota-padrão do futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 28% para 25%, em até dez anos.
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