Política
Relator do Simples defende compensações a empresas com fim da escala 6x1
Em seminário em São Paulo, deputado propõe isenção da contribuição previdenciária patronal por dois anos
O deputado Jorge Goetten (Republicanos-SC), relator da proposta que atualiza os limites de faturamento das empresas enquadradas no Simples Nacional, defendeu a isenção da contribuição previdenciária patronal por dois anos como forma de compensar empresas que precisarem ampliar o quadro de funcionários em razão do fim da escala 6x1.
A declaração foi feita durante seminário em São Paulo, promovido pela comissão especial que analisa a correção dos limites do Simples Nacional (PLP 108/21) e pelo programa Câmara pelo Brasil.
Entidades empresariais presentes ao encontro defenderam a atualização imediata dos tetos de faturamento para microempreendedores individuais (MEIs) e empresas do Simples, que estão sem reajuste há dez anos. Os representantes do setor lembraram que a Constituição prevê tratamento diferenciado para pequenas empresas e argumentaram que a medida não deve ser classificada como renúncia fiscal.
Nesta semana, o Ministério da Fazenda informou que a correção dos limites do Simples Nacional pode representar perda de arrecadação de R$ 50 bilhões por ano. Jorge Goetten, no entanto, contestou a avaliação. “Não é correção, é atualização. Nós temos que mudar a nossa narrativa. Não tem impacto. Quem tem que fazer, se tem impacto, é a equipe econômica que faça. Porque no nosso entendimento não tem impacto, tem é justiça”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que a proposta aprovada na Câmara que acaba com a escala de trabalho 6x1 (PEC 221/19) prevê medidas para mitigar os impactos da mudança sobre os pequenos empresários. Segundo ele, a atualização dos limites do Simples pode ser enquadrada entre essas medidas, assim como a isenção da contribuição previdenciária patronal. Outra reivindicação apresentada é a possibilidade de o MEI contratar mais de um empregado.
Entre as sugestões discutidas, segundo o deputado, está a definição de um reajuste automático dos limites pelo IPCA, índice oficial de inflação do país.
Novos limites
Já aprovado pelo Senado, o PLP 108/21 eleva de R$ 81 mil para R$ 130 mil a receita bruta anual permitida para enquadramento como MEI. De acordo com o relator, a atualização pelo IPCA levaria esse valor, atualmente, a R$ 134 mil. Para as microempresas, o limite passaria de R$ 360 mil para R$ 800 mil; e, para as empresas de pequeno porte, de R$ 4,8 milhões para R$ 8 milhões.
Goetten informou ainda que conversas com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicam que a votação da proposta pode ocorrer na segunda semana de julho.
O secretário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, destacou que as empresas do Simples são consideradas boas contribuintes pela própria Receita Federal. “Esse é um estudo que a Receita fez, mas que botou escondido na gaveta. E aqui mostra a pontualidade no recolhimento dos tributos e no acolhimento das normas”, disse.
Os empresários também pediram a atualização do limite do microcrédito para MEIs, que estaria fixado em R$ 21 mil desde 2019.
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