Política

Nunes Marques diz que magistratura vive “momento difícil” e cita dificuldades financeiras

Presidente do TSE afirmou, em posse da Ajufe, que juízes buscam maior reconhecimento da sociedade; Fachin defende discrição e código de ética no STF

Estadao Conteudo 11/06/2026
Nunes Marques diz que magistratura vive “momento difícil” e cita dificuldades financeiras
Nunes Marques - Foto: © Foto / Luiz Silveira / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que a magistratura atravessa um “momento difícil” e relacionou parte desse cenário à forma como a imprensa trata a remuneração dos juízes.

A declaração foi feita nesta quarta-feira, 10, durante a cerimônia de posse da nova diretoria da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), realizada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília.

“Contem comigo no Supremo Tribunal Federal. Um olhar sempre atento às necessidades da magistratura e me ombreando a ela neste momento difícil que atravessa, em razão, talvez, da forma como se comunicam os periódicos brasileiros em relação às dificuldades financeiras, às vezes não muito reconhecidas pela sociedade. Eu quero reafirmar meu apoio à magistratura federal”, disse o ministro, segundo relato do Correio Braziliense.

Nunes Marques também afirmou que os juízes buscam maior reconhecimento público pelo trabalho desempenhado. “Hoje é um dia de festa, o dia em que se renovam as esperanças de toda a magistratura federal de buscar o reconhecimento que merece diante não só da magistratura, mas também de toda a sociedade brasileira”, declarou.

A cerimônia marcou a posse da juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira na presidência da Ajufe. Ela é a primeira mulher a assumir o comando da entidade.

O evento reuniu integrantes dos tribunais superiores, representantes dos Poderes Executivo e Legislativo, membros da advocacia, integrantes do sistema de Justiça e magistrados.

O STF, Corte em que Nunes Marques atua, enfrenta um momento de desgaste institucional, com críticas recorrentes da direita bolsonarista e de parte do Congresso Nacional, além da repercussão do caso Banco Master, que envolve menções a ministros do tribunal.

Em meio às críticas, o atual presidente do STF, ministro Edson Fachin, tem defendido a criação de um código de ética para os membros da Corte, como uma “medida de defesa” diante da crise de imagem e com o objetivo de ampliar a credibilidade e a confiança pública.

Em evento no STJ na última semana, Fachin manifestou preocupação com os ataques dirigidos ao Poder Judiciário e afirmou ser necessário proteger os agentes responsáveis pela preservação do Estado Democrático de Direito.

O presidente do STF também defendeu serenidade, discrição e comedimento para que a atuação da magistratura produza confiança no Judiciário. “A sociedade digital produz incentivos à visibilidade constante. Mas atentemos para isso. Nem toda visibilidade fortalece instituições. Muitas vezes, o silêncio institucional vale mais que o protagonismo individual”, afirmou.