Política

Nunes afasta gerente da SPTuris após suspeita de ligação com ONG ligada a produtora de “Dark Horse”

Controladoria-Geral do Município abriu investigação para apurar suposta relação de Rodrigo Raveli Bolzan com entidade vinculada a empresária investigada por suspeita de fraudes.

Estadao Conteudo 11/06/2026
Nunes afasta gerente da SPTuris após suspeita de ligação com ONG ligada a produtora de “Dark Horse”
Ricardo Nunes - Foto: Arquivo/ Instagram

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) , anunciou o afastamento do gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), Rodrigo Raveli Bolzan , após abertura de investigação pela Controladoria-Geral do Município (CGM).

Segundo Nunes, a apuração busca precisa uma suposta ligação de Bolzan com uma ONG vinculada a Karina Ferreira da Gama , empresária responsável pela produtora do filme “Dark Horse” , sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e investigada pela Polícia Civil por suspeitas de fraudes.

“Identificando alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido. Se não houver ilegalidade, eu não vou carregar nas minhas costas nada que seja de um peso na consciência por cometer injustiça. Também não vou carregar nas minhas costas o peso de ser omisso, então está sendo apurado”, afirmou o prefeito a jornalistas na terça-feira, 9, durante uma apresentação de instalações em uma UBS na zona sul da capital paulista.

A investigação foi instaurada após reportagem do portal Metrópoles apontou que uma rede de empresas e ONGs ligadas à produtora e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) , também pertencente a Karina, ganhou espaço na Prefeitura depois que Raveli assumiu o cargo.

Ao comentar o caso, Nunes destacou que Bolzan integra os quadros da agência desde 2005 e atuou como fiscal de oito contratos.

Como mostrou o Estadão , o Instituto Conhecer Brasil foi alvo de operação da Polícia Civil paulista no início do mês por suspeitas de fraude em uma licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões . A polícia investiga fraude na licitação, fraude na execução do contrato e possível desvio de recursos públicos.

Além do contrato original, a Prefeitura firmou aditivos que elevaram para R$ 157,1 milhões os repasses à ONG. Segundo as autoridades, ao menos R$ 26 milhões foram pagos “sem a efetiva prestação do serviço”.

As investigações também apuraram o repasse de R$ 1,3 milhão a uma empresa que tinha entre seus sócios um dirigente do próprio ICB. Os pagamentos ocorreram no âmbito de um convênio entre a ONG e a Prefeitura para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi livres em comunidades de baixa renda da capital paulista.

Procurada sobre os dois casos, a Prefeitura afirmou que o processo licitatório “segue rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”. Sobre a instalação dos pontos de wi-fi, declarou que “análise jurídica realizada à época atualmente os critérios previstos na legislação e não obrigações formais à parceria”.

A ONG também é cobrada da Justiça a devolver R$ 1,3 milhão de um patrocínio executado irregularmente em 2017, em ação movida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). O Sesi relatou uma série de falhas na prestação de contas do patrocínio, incluindo a contratação de uma empresa de Brasília para realizar serviços na Bahia.