Política

Senado aprova Benedito Gonçalves para corregedoria do CNJ

Ministro do STJ recebeu 53 votos favoráveis e assumirá o cargo de corregedor nacional de Justiça no biênio 2026-2028.

Estadao Conteudo 11/06/2026
Senado aprova Benedito Gonçalves para corregedoria do CNJ
Benedito Gonçalves - Foto: Saulo Cruz/Agência Senado Fonte: Agência Senado

O Senado aprovou, na quarta-feira (10), a indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves para o cargo de corregedor nacional de Justiça. Ele atuará no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) no período de 2026 a 2028. A indicação recebeu 53 votos específicos e 16 contrários.

Com mais de 50 anos de carreira no serviço público, Benedito Gonçalves foi inspetor de escolas, papiloscopista da Polícia Federal e delegado da Polícia Civil antes de ingressar na magistratura.

Sua trajetória como magistrado começou aos 34 anos, em 1988, quando foi aprovado em concurso para a Justiça Federal do Rio Grande do Sul. Também passou por unidades do Rio de Janeiro e do Paraná. Dez anos depois, em 1998, foi promovido a desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2).

Gonçalves chegou ao Superior Tribunal de Justiça em 28 de agosto de 2008. Atualmente, é o único ministro negro entre os 33 membros da Corte.

Relator da indicação, o senador Cid Gomes (PSB-CE) relembrou a trajetória pessoal e profissional do ministro e acompanhou a defesa feita pelos senadores da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela aprovação do nome.

"O ministro Benedito é filho de um pedreiro e de uma servente lavadora, de origem humilde, negro, da periferia do Rio de Janeiro. Estudou com toda dificuldade, prestou concurso público e ascendeu ao Superior Tribunal de Justiça", afirmou Cid Gomes.

O nome de Benedito Gonçalves teve pouca resistência no Senado. Na sabatina realizada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a indicação havia recebido 21 votos positivos e cinco contrários.

Esforço de Davi Alcolumbre

A aprovação do ministro para a corregedoria do CNJ contornou um esforço concentrado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), junto aos colegas da Casa.

Gonçalves teve o nome garantido a um evento com ísque bancado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo reportagem do site Poder360, o ministro participou, na ocasião, de um evento paralelo: uma experiência de uísque Macallan, uma das marcas mais caras e prestigiadas do mundo, promovida por Vorcaro para autoridades. O custo estimado da festa foi de R$ 3,3 milhões.

Uma votação anterior para análise a indicação chegou a ser cancelada porque havia risco de o ministro não obter aprovação. Em 20 de maio, Alcolumbre interrompeu a sessão após constatar que apenas 59 dos 67 senadores presentes realizaram voto registrado, número considerado insuficiente para garantir o quórum necessário, que exige maioria absoluta, ou seja, 41 votos.

O CNJ é responsável por fiscalizar a atuação administrativa, financeira e disciplinar do Judiciário brasileiro, com poder para investigar e punir magistrados e servidores. Cabe também ao conselho padronizar procedimentos e zelar pela transparência e eficiência dos tribunais em todo o país.