Política

Renan Santos acena a Caiado, mira mercado e critica apoio a Flávio Bolsonaro

Pré-candidato diz que pesquisa reforça viabilidade eleitoral, busca diálogo com nomes da direita e afirma que apoiar Flávio é “votar em bandido”

Estadao Conteudo 10/06/2026
Renan Santos acena a Caiado, mira mercado e critica apoio a Flávio Bolsonaro
Renan Santos (Partido Missão) - Foto: Reprodução / Instagram

O pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) sinalizou abertura para alianças com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) , e afirmou que o resultado da pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) reforça suas previsões eleitorais. Em evento com investidores, em São Paulo, ele também fez duras críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) . “Votar no Flávio é votar em bandido”, declarou.

Renan associou o senador a escândalos e disse não haver meio-termo na avaliação sobre o adversário. O pré-candidato reforçou que vê o apoio de Flávio como uma escolha incompatível com o que é considerado aceitável na política. "Como eu digo, o Flávio Bolsonaro não pode ver um cara envolvido num escândalo. Ele vê um esquema e fala: 'por favor, me incluindo'. Não existe meio gângster", afirmou.

O presidente disse estar aberto a negociações com outros nomes da direita, especialmente Caiado, com quem lembrou já ter atuado em momentos decisivos, como no impeachment de Dilma Rousseff (PT). Na avaliação dele, a parceria produzida resultados. “A última vez que trabalhei com o Caiado, a gente derrubou o PT”, disse. Renan acrescentou que não descartou conversar com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), mas criticou o que chamou de “submissão ao bolsonarismo”.

Apesar da sinalização, Renan afirmou que precisa “se provar” eleitoralmente antes de avançar nas negociações. Ao comentar os números da pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10), disse acreditar que pode ultrapassar os concorrentes.

A pesquisa Genial/Quaest mostra que, no cenário estimulado de primeiro turno, Renan aparece com 3% das intenções de voto, empatado técnico com Caiado, que também registra 3%, e com os deputados federais Aécio Neves (PSDB) e Zema, ambos com 2%. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderou com 39%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, com 29%.

Sobre o levantamento, o pré-candidato argumentou que foi eleito menor do que adversários como Flávio Bolsonaro e maior potencial de crescimento, impulsionado pela militância e pelo engajamento nas redes sociais.

Renan também criticou o posicionamento do mercado financeiro, especialmente a chamada Faria Lima, que, segundo ele, passou a atuar como força política nos últimos anos. O pré-candidato afirmou que o setor errou ao apoiar o bolsonarismo no passado, o que, em sua avaliação, contribuiu para a volta do presidente Lula.

Ele disse, porém, que vê uma mudança de postura entre os agentes do mercado, que estariam evitando a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e buscando alternativas fora da polarização entre petismo e bolsonarismo. Renan afirmou ainda que, nos últimos meses, conseguiu reduzir o que classificou como resistência ao seu nome no mercado financeiro.

A avaliação foi compartilhada pelos participantes do evento promovido pela Genial Investimentos. Nossos bastidores, empresários e investidores ouvidos pela reportagem apontam “maior musculatura e amadurecimento” na pré-candidatura de Renan desde o início da campanha. Ao mesmo tempo, relatam ressalvas em relação ao senador Flávio Bolsonaro, citando episódios recentes, como a divulgação de áudio em que ele aparece em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse , que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A leitura é de que a campanha do senador segue desgaste à medida que novos fatos vêm à tona, somados ao histórico de polêmicas, como o caso das “rachadinhas”, quando Flávio exerceu mandato de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.