Política

TSE adia decisão sobre suspensão de pesquisa de voto para presidente

Julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha; placar está em 1 a 0 pela suspensão do levantamento da AtlasIntel

09/06/2026
TSE adia decisão sobre suspensão de pesquisa de voto para presidente
TSE suspende julgamento sobre pesquisa de intenção de voto para presidente realizada pela AtlasIntel

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu nesta terça-feira (9) o julgamento sobre a validade da divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República realizada pela AtlasIntel.

A análise do caso foi interrompida após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Até o momento, o placar está em 1 a 0 pela manutenção da suspensão da pesquisa. Ainda não há data para a retomada do julgamento.

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Na segunda-feira (8), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu a divulgação do levantamento ao entender que a pesquisa teria induzido as respostas dos eleitores.

A pesquisa foi divulgada em 19 de maio e apontou queda de cinco pontos na intenção de voto para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, após a divulgação de conversa do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O ministro atendeu a um pedido de suspensão apresentado pelo PL. O partido questionou perguntas relacionadas ao caso Master e afirmou que também foi exibido aos eleitores um áudio no qual Flávio aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com a decisão individual de Kassio Nunes Marques, a pesquisa não pode permanecer publicada nos canais oficiais da empresa, nem ser republicada ou impulsionada nas redes sociais.

Plenário

Na sessão desta terça-feira, o plenário do TSE começou a analisar se a decisão do presidente da Corte será referendada.

Ao reafirmar seu voto, Kassio Nunes Marques disse haver elementos consistentes que indicam possível “comprometimento da neutralidade metodológica” do questionário submetido aos eleitores, especialmente nas perguntas relacionadas ao caso Master.

“A existência de sequência de perguntas que, ao menos em juízo de cognição sumária, aparentam extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas”, afirmou o ministro.

Após o voto do relator, a ministra Estela Aranha pediu vista, e o julgamento foi suspenso.

Defesas

O advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra, representante da AtlasIntel, afirmou que o PL não apontou violação às regras para a realização de pesquisas eleitorais e sustentou que o partido alegou, de forma subjetiva, que Flávio Bolsonaro teria sido prejudicado.

“O que se tem na representação é uma discordância da metodologia com relação a um fato político público e notório, qual seja, a relação de Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, com Daniel Vorcaro e a questão do Banco Master”, afirmou.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que defendeu o PL, disse que o interesse pela divulgação de “pesquisas íntegras” é apartidário.

“Essa pesquisa tem um problema fatal: ela não trouxe a íntegra do questionário, porque incluiu um vídeo submetido aos entrevistados, mas essa mídia não foi anexada, nem sequer transcrita”, alegou.