Política

Dino impõe multa diária por falta de transparência em emendas Pix para eventos

Ministro do STF fixou penalidade de 1% sobre o valor recebido por Estados e municípios que não apresentarem planos de trabalho e relatórios de gestão

09/06/2026
Dino impõe multa diária por falta de transparência em emendas Pix para eventos
Flávio Dino - Foto: © Foto / Gustavo Moreno / STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (9) a aplicação de multa diária a Estados e municípios que não prestarem contas sobre o uso de emendas Pix destinadas à realização de eventos entre 2020 e 2024.

A penalidade foi fixada em 1% do valor da emenda recebida e permanecerá em vigor até que as pendências sejam regularizadas. Estão sujeitos à sanção os entes federativos que continuarem sem apresentar planos de trabalho e relatórios de gestão.

O ministro determinou que o Ministério do Turismo identifique, no prazo de dez dias, quais governos ainda não atenderam às exigências e os comunique formalmente sobre a aplicação da multa.

A decisão foi tomada no âmbito de uma ação que acompanha o cumprimento das regras de transparência na execução de emendas parlamentares. O STF mira recursos direcionados ao setor de eventos e a relação desses repasses com empresas beneficiadas pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado para auxiliar o segmento após os impactos econômicos da pandemia de covid-19.

“Há mais de um ano esta Relatoria requisita informações destinadas a viabilizar a completa identificação e fiscalização da aplicação de recursos oriundos de emendas parlamentares direcionados a eventos executados por empresas beneficiárias do Perse sem que, até o presente momento, tenham sido disponibilizados dados suficientes para tal finalidade”, justificou Dino na decisão.

Segundo o ministro, a fiscalização se torna ainda mais necessária diante dos “expressivos benefícios fiscais” concedidos no programa. “A título ilustrativo, imaginemos a repugnante hipótese de uma empresa participar de esquemas de desvio de dinheiro público destinado por emendas, e ainda ser beneficiada por incentivos fiscais”, exemplificou.

Flávio Dino também determinou que a Controladoria-Geral da União (CGU) realize auditoria sobre os repasses feitos aos entes que já apresentaram planos de trabalho e relatórios de gestão. O órgão deverá examinar a documentação, verificar a adequação dos preços praticados, confirmar se os eventos foram efetivamente realizados e avaliar se houve proporcionalidade entre o porte das ações e os recursos empregados.

A CGU terá prazo de cinco dias úteis para apresentar um cronograma dos trabalhos. Em outra frente, também ficará responsável por fiscalizar a conta que receberá os valores arrecadados com as multas.