Política
Renan acusa JHC de silêncio no caso Master e pergunta: “Quem levou Vorcaro para Maceió?”
Senador afirma que ex-prefeito de Maceió “se esconde na saia da mãe” e diz que aplicação de recursos previdenciários no Banco Master exige respostas públicas sobre responsabilidades, assinaturas, reuniões e processo de escolha da instituição financeira
O senador Renan Calheiros fez uma das declarações mais duras até agora sobre o caso Banco Master e colocou o ex-prefeito de Maceió, JHC, no centro da cobrança política. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Renan afirmou que a discussão não é familiar nem eleitoral, mas envolve suspeitas graves sobre dinheiro público e recursos de aposentados.
Logo no início da fala, Renan mirou diretamente JHC e sua mãe, a senadora Eudócia Caldas, que tem atuado politicamente na defesa do filho. O senador disse respeitar o esforço de uma mãe em proteger o filho, mas afirmou que o caso do Banco Master ultrapassa qualquer disputa doméstica.
“Eu louvo o esforço de uma mãe na defesa de um filho. Qualquer mãe faz isso, é intuitivo, é natural. Mas este, como você sabe, não é um debate familiar, é uma discussão sobre crimes com dinheiro público”, afirmou Renan.
A declaração elevou o tom da crise do Master em Alagoas. Para Renan, o ex-prefeito precisa deixar o silêncio e responder publicamente sobre a aplicação de recursos previdenciários municipais no Banco Master. O senador afirma que, durante a gestão de JHC em Maceió, perto de R$ 120 milhões dos aposentados teriam sido tragados no escândalo envolvendo a instituição financeira.
“Na gestão do JHC em Maceió, perto de 120 milhões dos aposentados foram tragados na corrupção do Master”, declarou o senador.
Renan também afirmou que o ex-prefeito “finge que não é com ele, silencia e prefere se esconder na saia da mãe”. A frase, de forte impacto político, foi usada pelo senador para cobrar maturidade, responsabilidade administrativa e explicações sobre o episódio.
Segundo Renan, a vida pública impõe pressão, cobranças e dever de resposta. Para ele, administrar dinheiro público exige condutas responsáveis, especialmente quando os recursos pertencem a aposentados e pensionistas.
“Na vida real, na maturidade, existe pressão, cobranças e, sobretudo, responsabilidades. A realidade exige respostas, condutas honestas e responsáveis, principalmente se você administra dinheiro público”, disse.
O senador afirmou ainda que o caso de Maceió não pode ser tratado como “traquinagem de criança”. Na avaliação dele, a aplicação dos recursos previdenciários no Banco Master precisa ser explicada ponto a ponto, com documentos, atas, assinaturas, reuniões e identificação dos responsáveis pela decisão.
“Em Maceió, você sabe, não foi uma traquinagem de criança. O dinheiro dos aposentados foi roubado”, afirmou Renan, atribuindo a JHC a obrigação política de explicar o que ocorreu.
A fala mais contundente veio quando o senador lançou uma sequência de perguntas que, segundo ele, precisam ser respondidas pelo ex-prefeito e pelos responsáveis pela operação. Renan questionou quem teria levado Daniel Vorcaro e o Banco Master para Maceió, como ocorreu o processo de escolha da instituição financeira e quem decidiu o valor aplicado.
“Alguém pediu? Quem levou o Vorcaro e o Master para Maceió? Como foi o processo de escolha do Banco Master? Quem decidiu o valor do investimento? Houve reunião do Conselho? Quem participou dessa reunião?”, indagou.
Renan também levantou suspeitas sobre eventuais irregularidades formais no processo decisório, incluindo questionamentos sobre assinaturas e possível fraude documental. “Houve fraude nas assinaturas? Quem assinou essas assinaturas em nome de quem?”, perguntou.
A declaração do senador ocorre em meio à repercussão nacional das investigações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e aplicações feitas por regimes próprios de previdência de estados e municípios. O caso preocupa servidores, aposentados e pensionistas porque envolve recursos destinados ao pagamento de benefícios previdenciários.
Renan afirmou que a apuração nacional indica um rombo bilionário e que diversos fundos de previdência já foram alvo de operações da Polícia Federal. Segundo ele, “a bancada de Vorcaro está indo direto do Banco Master para o banco dos réus”.
O senador também antecipou que novas revelações podem surgir nos próximos dias. Segundo Renan, haveria “novidades explosivas” capazes de revelar nomes e conexões da fraude em Maceió com outros grupos investigados.
A fala aumenta a pressão sobre JHC em um momento politicamente delicado. O ex-prefeito de Maceió, que deixou a administração municipal mirando voos eleitorais mais altos, passa a ser cobrado a explicar uma operação financeira que, segundo críticos, colocou recursos previdenciários sob risco em uma instituição hoje no centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
Até aqui, a estratégia atribuída por Renan ao ex-prefeito é o silêncio. Para o senador, no entanto, o caso exige uma resposta direta, pública e documentada. A cobrança é simples e politicamente devastadora: quem autorizou, quem indicou, quem assinou e quem se beneficiou da entrada do Banco Master no caminho dos recursos dos aposentados de Maceió?
“Alagoas, Maceió, os aposentados e suas famílias esperam que o ex-prefeito pare de se esconder e fale sobre a corrupção do Banco Master com o dinheiro dos aposentados”, afirmou Renan.
A fala do senador deve ampliar a pressão política sobre JHC e sobre os responsáveis pela gestão previdenciária municipal à época da aplicação. Também coloca no centro do debate a necessidade de transparência sobre atas, pareceres técnicos, decisões do conselho previdenciário, autorizações formais e eventuais alertas ignorados.
O caso, agora, não é apenas financeiro. Tornou-se uma crise política, institucional e moral. De um lado, aposentados querem saber se seus recursos estão protegidos. De outro, Renan cobra que JHC saia da defensiva e responda ao que chamou de crime com dinheiro público.
A reportagem mantém espaço aberto para manifestação do ex-prefeito JHC, da senadora Eudócia Caldas, da Prefeitura de Maceió, do Iprev/Maceió Previdência, do Banco Master e das defesas dos citados.
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