Política
Ministro anuncia recorde de cirurgias no SUS; deputado cobra transparência nas filas
Alexandre Padilha esteve na Câmara dos Deputados para apresentar prioridades do Ministério da Saúde
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira (27) que o governo atingiu um recorde de cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS), alcançando 14,9 milhões de procedimentos em 2025.
O anúncio foi feito durante audiência pública da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, que discutiu as ações e prioridades da pasta para 2026.
De acordo com Padilha, o avanço se deve ao programa “Agora tem especialistas”, que modificou o modelo de financiamento das unidades de saúde. A nova tabela passou a remunerar os hospitais por pacotes completos de atendimento, englobando consulta, diagnóstico e cirurgia em um único pagamento.
"Atingimos o registro histórico de cirurgias eletivas pelo SUS. Isso é resultado direto da nova tabela, que supera definitivamente a antiga tabela SUS, com procedimentos que chegam a ter valor até três vezes maior", destacou o ministro.
Transparência nas filas
Por outro lado, o deputado Dr. Frederico (Patriota-MG) criticou o ministério por ocultar o tamanho atual da fila de cirurgias. Ele lembrou que, no ano passado, o número de pacientes em espera de procedimentos chegou a 1,3 milhão.
“Estamos no final de maio e não há nenhum dado, nenhuma referência. Esse dado está, para ser bem franco aqui, escondido”, afirmou o parlamentar.
Padilha refutou a acusação e explicou que o Brasil nunca teve um painel unificado das filas. “O principal dado a ser acompanhado é o tempo de espera. Vamos implantar um painel nacional, além dos painéis estaduais e municipais, o que permitirá o acompanhamento do tempo de espera”, garantiu.
Apoio às Santas Casas
O deputado Rafael Simões (União-MG) defendeu um socorro estrutural às Santas Casas e aos hospitais filantrópicos. “Precisamos de ações que permitam que essas instituições continuem sobrevivendo. Não podemos chegar ao final do ano e ter que recorrer a empréstimos”, declarou.
Para atender o setor, Padilha pediu apoio do Congresso à aprovação do Projeto de Lei 2.465/26, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que viabiliza a continuidade do uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em operações de crédito destinadas a entidades hospitalares filantrópicas e de saúde suplementar.
Contratos e fiscalização
A deputada Rosangela Moro (União-SP) cobrou esclarecimentos sobre a compra, pelo governo, de insulina da farmacêutica Bioma, ressaltando que o fundo de investimento que investiu o controle da empresa em 2024, vinculado ao Banco Master, está sob investigação por suspeitas de corrupção.
Segundo ela, diante de contratos que somam centenas de milhões de reais, o ministério deveria ter sido mais rigoroso na análise de risco e de compliance da farmacêutica.
Padilha negou qualquer irregularidade, afirmando que a empresa atua no Brasil há décadas e possui capital aberto na Bolsa de Valores.
“A participação desse fundo foi realizada na Bolsa, que adquiriu parte das ações dentro do compliance . Não há qualquer irregularidade apontada pela CGU [Controladoria-Geral da União] nos contratos”, respondeu o ministro.
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