Política
Justiça italiana nega extradição de Carla Zambelli, que deve ser solta nos próximos dias
Ex-deputada, condenada pelo STF, teve extradição anulada pela Corte de Cassação; defesa comemora decisão
A Corte de Cassação, instância máxima do sistema judicial da Itália, anulou nesta sexta-feira, 22, a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Ela era alvo de pedidos de extradição por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e porte ilegal de arma de fogo durante as eleições de 2022.
Segundo o advogado da ex-deputada no Brasil, Fábio Pagnozzi, Zambelli deve ser solta entre sábado, 23, e terça-feira, 26. O processo ainda aguarda o parecer do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem prazo de 45 dias para se manifestar a partir do acórdão da decisão.
De acordo com Pagnozzi, a Suprema Corte da Itália reconheceu que Carla Zambelli é uma perseguida política e considerou que as provas apresentadas não eram sólidas, anulando assim os dois processos de extradição no país europeu. Com isso, Zambelli poderá deixar a prisão e permanecer na Itália sem pendências judiciais, já que possui cidadania italiana.
"Com a decisão de hoje, sexta-feira, 22, será expedido o ofício para a Vara Criminal, para que se solte a Carla", afirmou o advogado. "Foi uma vitória gigantesca para nós. Estávamos quase certos de que a extradição seria concedida, mas, no fim, conseguimos reverter", completou.
Familiares da ex-deputada disseram ter sido informados da decisão pela defesa na Itália. O filho de Zambelli, João Zambelli, comemorou nas redes sociais: "É o melhor dia de todos. Minha mãe estará livre amanhã pela manhã. O advogado da Itália ligou para a gente. O julgamento na Itália foi um sucesso e minha mãe será livre amanhã", publicou no Instagram.
O marido de Carla Zambelli, Coronel Aginaldo, também comunicou a decisão a aliados e amigos próximos.
Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023 a dez anos de prisão por invasão dos sistemas do CNJ e inserção de documentos falsos. Posteriormente, recebeu nova condenação, de cinco anos e três meses, por perseguir armada um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Após a primeira condenação, deixou o Brasil e foi para a Itália, onde acabou presa.
A Corte de Apelação italiana havia autorizado a extradição de Zambelli nos dois processos, mas a defesa recorreu à Corte de Cassação, última instância judicial do país, que decidiu pela anulação da extradição.
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