Política

Advogado deixa defesa de Daniel Vorcaro após impasses em delação premiada

Saída ocorre após rejeição da proposta de delação pela PF e PGR e desentendimentos com ministros do STF e TSE.

22/05/2026
Advogado deixa defesa de Daniel Vorcaro após impasses em delação premiada
Daniel Vorcaro - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Após uma série de derrotas e desgastes na condução da delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro , o advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, comunicou sua saída do caso nesta sexta-feira, 22.

Ainda não foi definido um nome para substituí-lo. Por enquanto, a defesa continua sob responsabilidade do advogado Sérgio Leonardo, que mantém uma antiga relação de confiança com Vorcaro.

Juca foi responsável por redigir a primeira proposta de delação do dono do banco Master, que nesta semana foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e devolvida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para complementações da defesa.

De acordo com o investigador, a proposta apresentada foi considerada insuficiente diante das provas já colhidas e protegia diversas pessoas contra as quais a própria PF já possuía posses robustas. Diante disso, a PF rejeitou a delação e cerrou as negociações, enquanto a PGR devolveu o acordo e ajustes solícitos.

Juca também sofreu desgastes com o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. O advogado teve uma discussão ríspida com o ministro nas últimas semanas. Após Mendonça afirmou que não homologaria a delação caso considerasse o acordo insuficiente em provas e devolução de recursos, Juca reagiu e disse que recorreria à Segunda Turma para tentar homologar a delação.

Como consequência, André Mendonça cortou a interlocução direta com a defesa e determinou que as comunicações fossem feitas apenas por meio de petições formais.

Outro episódio que contribuiu para o desgaste foi um encontro de Juca com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Floriano de Azevedo, aliado do próximo ministro do STF Alexandre de Moraes. A reunião, realizada um dia após a entrega da proposta de delação, foi revelada pelo Estadão e incluiu conversas sobre o acordo.