Política

Heloísa Helena cobra convocação de peritos do INSS e critica fila de 3 milhões de pessoas

Em discurso na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, ex-senadora afirma que demora atinge principalmente mães pobres, crianças com deficiência, pessoas com transtornos e famílias que dependem do BPC

Redação 21/05/2026
Heloísa Helena cobra convocação de peritos do INSS e critica fila de 3 milhões de pessoas
Heloísa Helena cobra convocação de peritos do INSS e critica fila de 3 milhões de pessoas - Foto: Reprodução

A ex-senadora Heloísa Helena fez um forte discurso na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, em Brasília, ao cobrar do governo federal a convocação de médicos peritos, assistentes sociais e outros profissionais aprovados em concurso público para atuar no Instituto Nacional do Seguro Social, o INSS.

Ao tratar da fila de espera por benefícios previdenciários e assistenciais, Heloísa Helena criticou duramente o que classificou como uma postura negligente e irresponsável diante do drama enfrentado por milhões de brasileiros pobres.

“Não é possível que o governo federal insista nessa posição negligente, irresponsável, de permitir 3 milhões de pessoas na fila do INSS”, afirmou.

Durante a fala, Heloísa Helena ressaltou que a fila do INSS não pode ser vista apenas como estatística. Segundo ela, por trás dos números estão mães de crianças com autismo, pessoas com transtornos psíquicos ou mentais, pacientes que aguardam aposentadoria e famílias pobres que dependem do Benefício de Prestação Continuada, o BPC.

“Quem está na fila do INSS? A mãe da criança com algum autismo, ou com um transtorno, ou com um transtorno psíquico ou mental. O paciente querendo acesso à aposentadoria”, declarou.

A ex-senadora afirmou que há pouco mais de 200 médicos peritos aprovados no Brasil que poderiam ser chamados para reforçar o atendimento. Ela citou ainda a necessidade de convocação de assistentes sociais já concursados, profissionais fundamentais para a análise de benefícios assistenciais.

“São pouco mais de 200 médicos peritos que estão aprovados no Brasil. No Rio de Janeiro, seis, sete para serem chamados. Então, isso é um inferno, um negócio desse”, disse.

O pronunciamento ocorreu durante reunião da Comissão de Saúde que analisava projeto sobre a criação do Programa Nacional do Transtorno do Espectro Autístico. Heloísa Helena aproveitou o debate para ampliar a discussão e defender que o país olhe com prioridade para as mães pobres que buscam atendimento e proteção social para seus filhos.

“Mais uma vez, eu aproveito que estamos na comissão, votando um projeto sobre criação do Programa Nacional do Transtorno do Espectro Autístico, para que a gente pense nas mães pobres”, afirmou.

Segundo Heloísa Helena, são justamente as famílias mais vulneráveis que enfrentam o maior sofrimento na espera por perícias, avaliações sociais e decisões administrativas. Ela afirmou que muitas pessoas permanecem em situação de desespero enquanto aguardam acesso ao benefício necessário para garantir a própria sobrevivência.

“Quem vai para aquela maldita fila e quem fica no desespero de sustentar a sua família é o pobre, pobre, pobre, porque, se for mais ou menos, não consegue nem acesso ao BPC”, declarou.

O Benefício de Prestação Continuada é voltado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Para Heloísa Helena, no entanto, o acesso ao benefício ainda é marcado por exigências restritivas e barreiras burocráticas que penalizam justamente quem mais precisa.

Ela também afirmou ter apresentado um projeto com o objetivo de retirar a condicionalidade de renda para crianças com deficiência, defendendo que o benefício seja reconhecido como direito da criança, e não como concessão submetida à lógica política ou econômica.

“Eu até apresentei um projeto para tirar a condicionalidade de renda, para ser um direito da criança com alguma deficiência e não uma concessão, supostamente concessão, da elite política e econômica”, disse.

Ao final, Heloísa Helena reforçou o apelo para que o governo federal convoque os profissionais aprovados em concurso público, especialmente médicos peritos e assistentes sociais, como medida urgente para reduzir a fila do INSS e aliviar o sofrimento de famílias vulneráveis.

“Mais uma vez, presidente, eu faço o apelo para que sejam chamados os médicos, os peritos e as assistentes sociais que já estão concursadas”, concluiu.

A manifestação recoloca no centro do debate público um dos principais gargalos da Previdência Social no Brasil: a demora na análise de benefícios, especialmente aqueles que dependem de perícia médica e avaliação social. Para milhões de brasileiros, a espera significa falta de renda, insegurança alimentar, agravamento da vulnerabilidade e negação prática de direitos básicos.