Política
Ciro Gomes é condenado por violência política de gênero contra prefeita e ex-senadora
Ex-ministro terá que pagar indenização por ofensas misóginas à prefeita Janaína Farias; decisão também impõe restrições a Ciro Gomes.
O ex-ministro e pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), foi condenado nesta terça-feira (19) pela Justiça Eleitoral do Ceará por violência política de gênero contra a prefeita de Crateús, Janaína Farias (PT-CE). O episódio ocorreu em 2024, quando Janaína ocupava a vaga de senadora suplente.
Durante entrevistas concedidas na ocasião, Ciro Gomes utilizou termos misóginos para se referir à parlamentar, chamando-a de "cortesã" e desqualificando sua trajetória política. O ex-ministro chegou a afirmar que Janaína seria "assessora para assuntos de cama" e que "organizava as festas de Camilo Santana", de quem era suplente no Senado.
A sentença determinou inicialmente 1 ano e 4 meses de prisão. No entanto, por ser réu primário e possuir bons antecedentes, Ciro terá que pagar 20 salários-mínimos de indenização à ex-senadora e outros 50 salários-mínimos a entidades de proteção dos direitos das mulheres no Ceará.
Além da condenação, o juiz manteve medidas cautelares proibindo Ciro de mencionar o nome de Janaína Farias, direta ou indiretamente, em pronunciamentos públicos ou redes sociais.
Em nota ao Estadão, a assessoria de Ciro Gomes informou que ele vai recorrer da decisão, afirmando confiar que "as instâncias superiores saberão fazer justiça e analisar o caso fora do calendário de interesses eleitorais".
Em 2025, Ciro já havia sido condenado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) pelo mesmo caso.
Nas redes sociais, Janaína Farias comemorou a decisão judicial e anunciou que doará integralmente o valor da indenização para entidades que atuam na defesa dos direitos das mulheres.
“Fui a vítima, assim como tantas mulheres neste país, e a decisão é um alento. Não podemos relativizar a misoginia jamais”, escreveu a prefeita.
Na época das ofensas, a Procuradoria Especial da Mulher do Senado divulgou nota de repúdio contra Ciro Gomes, classificando suas declarações como "uma das faces mais grotescas da violência contra a mulher". Paralelamente, a bancada feminina do Senado, composta por 15 parlamentares, protocolou voto de repúdio ao político cearense.
O Partido dos Trabalhadores (PT), legenda de Janaína, também manifestou apoio à prefeita. A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), então presidente do partido, afirmou que o desrespeito brutal não impedirá a participação das mulheres em espaços de poder. “Solidariedade à Janaína e a todas as mulheres que enfrentam o machismo e a misoginia na política e na vida”, declarou Gleisi.
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