Política
Cláudio Castro é o 7º governador do Rio a ser alvo de operação nos últimos 40 anos
Sete ex-governadores do Rio de Janeiro foram investigados nos últimos 40 anos por envolvimento em esquemas de corrupção ou outras irregularidades. Desses, cinco foram presos. Nesta sexta-feira, 15, o ex-governador Cláudio Castro foi alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, que apura supostas fraudes na atuação de um conglomerado do setor de combustíveis.
Agentes cumpriram o mandado de busca e apreensão na residência do político, na cobertura de um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro. O telefone e o tablet do ex-governador foram apreendidos pela PF.
Desde o fim do regime militar em 1985, apenas dois governadores do Rio não sofreram investigação ou foram presos:
Leonel Brizola (PDT), que governou de 1991 a 1994;
Marcello Alencar (PSDB), de 1995 a 1999.
Outros três, também não investigados, assumiram o cargo temporariamente, na condição de vices: Nilo Batista (PDT), de 1994 a 1995; Francisco Dornelles (PP), em 2016 e 2018, e Benedita da Silva (PT), de 2002 a 2003.
Os investigados
O ex-governador Cláudio Castro (PL), alvo de operação nesta sexta-feira, já havia sido indiciado pela Polícia Federal por suspeitas de corrupção passiva e peculato em um suposto esquema de desvio de recursos públicos do Estado.
O ex-governador Wilson Witzel (PSC), que governou o Rio de 1.o de janeiro de 2019 até 30 de abril de 2021, foi afastado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em investigação sobre suposto esquema de corrupção, mas acabou deposto definitivamente do cargo ao sofrer impeachment.
Cinco ex-governadores já foram presos
Sérgio Cabral (PMDB): Governou o Rio de 2007 a 2014 e foi preso em novembro de 2016 na Operação Lava Jato.
Anthony Garotinho (PSB): Governador de 1999 a 2002, foi preso em várias ocasiões a partir de 2016 na investigação de crimes eleitorais.
Rosinha Garotinho (PMDB): Governou de 2003 a 2006 e foi presa em novembro de 2017, suspeita de crimes crimes eleitorais e corrupção.
Luiz Fernando Pezão (MDB): Governador de 2014 a 2018, acabou peso em novembro de 2018, ainda no exercício do mandato, acusado de corrupção.
Wellington Moreira Franco (PMDB): Exerceu o mandato de 1987 a 1991, tendo sido preso em 2019 em investigação da Operação Lava Jato, mas foi absolvido por falta de provas.
O que dizem os políticos
Claudio Castro: A reportagem procurou o advogado Carlo Luchione, que defende Castro, e aguarda retorno.
Wilson Witzel: Após o impeachment, Witzel afirmou no X que houve um golpe e comparou o tribunal ao Estado Islâmico. Witzel questionou, em uma série de tuítes, o julgamento que decidiu por seu afastamento definitivo do governo do Rio. Atualmente, Witzel é advogado e atua em sua própria defesa. A reportagem tenta contato.
Sérgio Cabral: O Estadão falou com o escritório Bialski Advogados Associados, que defende Cabral, e aguarda manifestação.
Anthony Garotinho: A reportagem procurou a defesa de Garotinho e espera retorno. Nesta quinta-feira, 14, Garotinho disse em seu blog oficial que foi perseguido politicamente.
"Todas as ações judiciais que eu respondi foram fruto de perseguição por investigações que eu realizei e coloquei na cadeia a maior quadrilha de ladrões de dinheiro público do Estado."
Rosinha Garotinho: A reportagem entrou em contato com o escritório Rafael Faria Advogados, que defende a ex-governadora Rosinha Garotinho e aguarda retorno.
Luiz Fernando Pezão: A reportagem procurou o escritório Mirza & Malan Advogados, que defende Pezão, e aguarda retorno. Em sua última manifestação, a defesa diz que o ex-governador foi "injustamente preso, com base em delações mentirosas".
Wellington Moreira Franco: Foi absolvido das acusações.
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