Política
AP Exata: Áudio com Vorcaro derruba confiança em Flávio Bolsonaro nas redes e impulsiona Zema
Pesquisas de intenção de voto ainda vão medir o tamanho do estrago que as mensagens de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro causaram sobre a pré-campanha do senador à Presidência da República. Mas, no termômetro das redes, o diagnóstico é negativo para ele: Flávio sofreu uma perda de credibilidade em larga escala, aponta relatório da AP Exata Inteligência obtido com exclusividade pelo Estadão.
Mensagens reveladas nesta quarta-feira, 13, mostram Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro ao dono do Banco Master para financiar a produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O próprio senador confirmou o pedido e disse, em nota, que "foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai".
Nesta quinta-feira, 14, 64,7% das menções a Flávio nas redes tinham teor negativo, segundo levantamento da AP Exata. Isso equivale a quase sete em cada dez publicações. Os dados foram extraídos pela consultoria até as 13h.
"Trata-se do pior índice entre os candidatos monitorados e também do pior patamar registrado por Flávio desde que se lançou como candidato", afirma Sérgio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados. Em comparação com o período anterior às revelações do site Intercept Brasil, o volume de menções negativas ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro cresceu sete pontos porcentuais.
A AP Exata também monitora as emoções predominantes nas publicações sobre os presidenciáveis. Entre elas, a confiança é considerada uma das mais relevantes por indicar o grau de credibilidade atribuído a cada político.
O índice de confiança de Flávio caiu para 13,6% nesta quinta-feira, 14, uma retração de 2,7 pontos porcentuais em relação a terça-feira. Além de representar o pior desempenho do senador desde o anúncio da sua pré-candidatura, em dezembro do ano passado, o resultado também ficou abaixo dos piores índices já registrados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelos ex-governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e de Minas, Romeu Zema (Novo), além do fundador da Missão, Renan Santos.
Lula teve o seu pior índice de confiança no dia 8 de janeiro deste ano: 13,86%. Na ocasião, o presidente participou de um ato esvaziado que marcou os três anos da tentativa de golpe de Estado e anunciou o veto ao PL da Dosimetria, posteriormente derrubado pelo Congresso.
Zema cresce nas redes; Lula fica estável
No volume total de menções, Flávio é o pré-candidato ao Planalto mais citado nas redes nesta quinta-feira, 14, respondendo por um quarto das publicações. Depois, aparecem Zema (23,4%), Lula (21,5%), Renan Santos (11,9%) e Caiado (7,9%).
"O dado sobre Zema chama atenção. Antes do escândalo, ele respondia por cerca de 10% das menções. Depois de se posicionar com críticas a Flávio, saltou cerca de 13 pontos porcentuais. Caiado também cresceu, com avanço aproximado de 5 pontos. Isso indica que Zema tem sido beneficiado pela crise e passou a ser apresentado, por parte dos decepcionados com Flávio, como alternativa de voto no campo da direita e da centro-direita", analisa Denicoli.
O crescimento de Zema, porém, não vem isento de custos políticos. O mineiro não poupou críticas a Flávio e gravou um vídeo na própria quarta-feira chamando de "imperdoável" e "tapa na cara dos brasileiros" o pedido de Flávio para Vorcaro.
"As menções negativas de Zema subiram cerca de quatro pontos porcentuais, principalmente por ataques de bolsonaristas, que passaram a enquadrá-lo como oportunista."
Lula, por sua vez, segue estável nos principais índices da AP Exata. "O caso, até agora, parece afetá-lo pouco. Não o prejudica, mas também não o beneficia de forma direta. Lula pode vir a ganhar com a queda de credibilidade de Flávio, especialmente entre moderados e indecisos, mas esse deslocamento ainda não apareceu de forma clara nos dados", afirma o cientista de dados.
Denicoli ressalta que, no Brasil, nada é definitivo e, embora o cenário seja de forte desgaste para Flávio, é preciso levar em conta que o senador já tinha uma rejeição elevada - na pesquisa Quaest divulgada ontem, 54% dos entrevistados conhecem e não votariam em Flávio.
Na avaliação do CEO da AP Exata, o principal problema para a campanha presidencial de Flávio é o fato de o caso atingir diretamente a bandeira da moralidade, um ativo explorado pelo bolsonarismo para se contrapor aos escândalos envolvendo o PT.
"Flávio agora deve explicações, e as respostas apresentadas até aqui aumentaram as dúvidas. Primeiro, afirmou que não tinha contato com Vorcaro e negou que o banqueiro tivesse financiado o filme sobre Jair Bolsonaro. Depois da revelação dos áudios, essa versão acabou tento que ser desmentida por ele mesmo", afirma Denicoli, acrescentando que, para sair do centro negativo das atenções, Flávio pode passar a depender de um novo escândalo envolvendo o governo Lula.
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