Política
Conselho de Ética da Alesp rejeita suspensão de Lucas Bove por violência de gênero
Por 5 votos a 2, colegiado nega afastamento do deputado, acusado de agressões contra Mônica Seixas; nova proposta de punição será apresentada
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) rejeitou, nesta quarta-feira (13), o pedido de suspensão do mandato do deputado estadual Lucas Bove (PL) por 30 dias. O parlamentar é acusado de violência política de gênero contra a deputada Mônica Seixas (Psol), após uma série de condutas consideradas agressivas e constrangedoras durante sessão legislativa.
Por 5 votos a 2, o colegiado decidiu não acatar o parecer do relator, deputado Emídio de Souza (PT), que recomendava a suspensão temporária de Bove. Na próxima semana, o deputado Eduardo Nóbrega (MDB) deve apresentar uma nova proposta de punição para as condutas atribuídas ao parlamentar.
Lucas Bove, do Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou ao jornal Estadão que, com a decisão do Conselho de Ética de manter seu mandato, "a justiça prevaleceu sobre a perseguição política".
De acordo com o relatório, as agressões teriam ocorrido durante a 34ª Sessão Extraordinária, em 2 de setembro de 2025. Na ocasião, Bove teria se dirigido à deputada Mônica Seixas de forma agressiva, elevando o tom de voz, interrompendo sua fala, aproximando-se de maneira inadequada, realizando gestos exaltados e batendo na mesa. O comportamento, segundo o documento, chegou a demandar a intervenção de terceiros para contenção.
O relatório também aponta que Bove utilizou expressões depreciativas, como chamar a parlamentar de "elemento", além de adotar atitudes de deboche e desqualificação, capazes de constranger e comprometer o exercício regular do mandato de Mônica Seixas.
O parecer do relator ressalta ainda que "tais manifestações não se limitaram a um único episódio isolado, mas se desenvolveram em sequência, com reiterações ao longo da sessão, incluindo gritos, interrupções sistemáticas, recusa em moderar a conduta e a utilização de expressões de caráter depreciativo".
Em sua defesa, Bove alegou que suas falas e atitudes estão protegidas pela imunidade parlamentar, argumentando que os episódios ocorreram em meio a um embate político acalorado, típico do ambiente legislativo, sem intenção de constranger ou discriminar a colega por seu gênero.
O relatório acrescenta que a defesa buscou contextualizar os fatos, mencionando episódios anteriores e processos já arquivados, na tentativa de sustentar a tese de perseguição política e relativizar a gravidade da conduta analisada.
Além da denúncia apresentada por Mônica Seixas, Lucas Bove responde a outras duas representações no Conselho de Ética da Alesp. Os processos estão relacionados ao fato de o deputado ser réu na Justiça de São Paulo por violência doméstica e agressão à ex-mulher, a influenciadora Cíntia Chagas.
Cíntia registrou boletim de ocorrência em 4 de setembro de 2024, acusando o ex-marido de violência psicológica e ameaça. Segundo ela, o relacionamento era abusivo, marcado por ciúmes, possessividade e controle por parte do deputado. A defesa de Bove nega todas as acusações.
O casal se separou em agosto de 2024. Cíntia Chagas possui 7,6 milhões de seguidores no Instagram, onde se destaca por dicas de etiqueta.
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