Política

Senado aprova inclusão de Maria Lenk no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

Projeto reconhece pioneirismo da nadadora, primeira sul-americana em Olimpíadas, e segue para análise da Câmara dos Deputados

13/05/2026
Senado aprova inclusão de Maria Lenk no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria
- Foto: Agência Senado

O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (13), o projeto de lei que inclui o nome da nadadora Maria Lenk no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A decisão foi tomada em caráter terminativo pela Comissão de Esporte (CEsp), o que dispensa votação em plenário, salvo recurso. O texto agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

O projeto (PL 3.167/2025), de autoria da presidente da CEsp, senadora Leila Barros (PDT-DF), recebeu parecer favorável da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP).

A homenageada

Maria Emma Hulda Lenk Zigler nasceu em São Paulo (SP) em 1915 e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 2007. Ela foi a primeira mulher sul-americana a participar dos Jogos Olímpicos, em Los Angeles (1932), em um contexto de grandes resistências à presença feminina no esporte competitivo.

Nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, Maria Lenk inovou ao realizar a recuperação dos braços por fora da água na prova de nado peito, movimento que contribuiu para a criação do nado borboleta, posteriormente reconhecido como estilo olímpico independente.

Em 1939, a atleta bateu os recordes mundiais dos 400 metros peito e dos 200 metros peito, tornando-se a primeira brasileira a estabelecer um recorde mundial. Sua marca nos 200 metros peito superou inclusive o recorde masculino vigente à época.

A carreira olímpica de Maria Lenk foi prejudicada pela Segunda Guerra Mundial, que interrompeu os Jogos de 1940 e 1944. Ainda assim, a senadora Leila Barros destaca que a ausência de uma medalha olímpica não diminui a importância da atleta, ressaltando sua capacidade de abrir caminhos, enfrentar preconceitos e projetar o esporte brasileiro internacionalmente.

Após encerrar a carreira de elite, Maria Lenk permaneceu dedicada ao esporte, atuando como professora, cofundadora da Faculdade de Educação Física da então Universidade do Brasil (atual UFRJ) e primeira mulher a dirigir a Escola de Educação Física da UFRJ.

Nas competições masters, destinadas a atletas veteranos, Maria Lenk acumulou 40 recordes mundiais e conquistou cinco medalhas no Campeonato Mundial de Munique, em 2000, segundo o Comitê Olímpico Brasileiro.

Seu reconhecimento internacional inclui a entrada no International Swimming Hall of Fame, em 1988, tornando-se a primeira brasileira a integrar a instituição. Em 2022, foi declarada Patrona da Natação Brasileira pela Lei 14.418.

Relevância e pioneirismo

A senadora Leila Barros ressalta que a trajetória de Maria Lenk justifica plenamente a homenagem, destacando seu pioneirismo e relevância histórica para a natação e o esporte nacional. “É hora de eternizar o nome de Maria Lenk no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria como símbolo para as futuras gerações”, afirmou Leila, lembrando ainda que a atleta faleceu aos 92 anos enquanto treinava em uma piscina.

Mara Gabrilli reforçou que a homenagem reconhece uma trajetória marcada por pioneirismo esportivo, contribuição à educação e à presença feminina em esportes de alto rendimento. Segundo a senadora, o projeto consolida “a memória de uma brasileira que desafiou padrões, projetou o país internacionalmente, contribuiu para a ciência e o ensino da educação física e demonstrou compromisso exemplar com o esporte ao longo da vida”.

O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria está depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.