Política

Um em cada cinco brasileiros já recebeu oferta para vender o voto, aponta pesquisa

Levantamento revela que 22% dos brasileiros foram abordados com propostas de compra de voto; maioria desconhece formas de denunciar o crime eleitoral.

11/05/2026
Um em cada cinco brasileiros já recebeu oferta para vender o voto, aponta pesquisa
- Foto: Reprodução

Um em cada cinco brasileiros (22%) afirma já ter recebido oferta para vender o voto em alguma eleição, segundo pesquisa realizada pelo Ipsos-Ipec em parceria com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), divulgada nesta segunda-feira (11).

O levantamento integra a campanha "Voto não tem preço, tem consequências" e revela ainda que 62% dos entrevistados não se sentem seguros para denunciar a compra de votos, além de não saberem como fazê-lo.

De acordo com a pesquisa, três quartos da população consideram a oferta de dinheiro uma forma de compra de voto. No entanto, a socióloga Adelia Franceschini, consultora do levantamento, destaca que há outras formas de abordagem aos eleitores.

"Há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar o acesso a benefícios sociais, oferecer churrasco ou festa, entre outras", explica Franceschini.

Ela ressalta ainda: "Temos dois problemas: um é a compra de votos em si, porque 22% já é muita gente. O outro é que cerca de 70% não entendem muitas moedas de troca como compra de voto, mas sim como um favorzinho".

A pesquisa aponta que candidatos a cargos municipais lideram as tentativas de coação de eleitores. Vereadores são responsáveis por 59% dos relatos de abordagens, seguidos pelos prefeitos, com 43%.

Mesmo entre os que não foram abordados diretamente, 39% dizem que a prática de compra de votos ocorre "sempre" onde moram. Outros 30% relatam que isso acontece "frequentemente" ou "às vezes".

O Nordeste concentra a maior incidência de abordagens para a venda de voto: 32%, dez pontos acima da média nacional e bem acima dos 18% registrados no Sudeste, a região mais populosa do país.

Segundo Chico Whitaker, cofundador do MCCE, "quanto menor a cidade, mais compra de votos. Mais gente depende de emprego na prefeitura, por exemplo. O dinheiro também é mais útil, ao permitir mais facilmente a satisfação de necessidades. Já nas cidades maiores, as cestas básicas são mais práticas para os candidatos".

Como denunciar

Um dos objetivos da campanha do MCCE é incentivar denúncias de compra de votos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral. Porém, a pesquisa mostra que 62% dos brasileiros não sabem como denunciar o crime, enquanto 52% não se sentem seguros para fazê-lo.

A compra de votos, definida pela legislação como "captação ilícita de sufrágio", pode ser denunciada por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, além do Ministério Público, delegacias, promotorias, e-mails e ouvidorias. O crime envolve oferecer dinheiro, benefícios ou vantagens em troca de votos e pode resultar em até quatro anos de prisão.

O levantamento foi realizado pelo Ipsos-Ipec entre 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2.000 entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro para as perguntas que abrangem toda a amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.