Política

Zema publicou 14 vídeos com críticas ao STF nesta semana

22/04/2026
Zema publicou 14 vídeos com críticas ao STF nesta semana
Romeu Zema - Foto: Arquivo/Câmara dos Deputados

O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) intensificou suas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) nas redes sociais. A ocorrência ocorre após pedido do ministro Gilmar Mendes para que Alexandre de Moraes incluindo Zema no inquérito das fake news, por compartilhamento de vídeo com sátira aos ministros da Corte.

Desde esta segunda-feira, 20, o perfil de Zema no Instagram registra 14 novas postagens com críticas ao STF, que incluem cortes de suas entrevistas, trechos de discursos e imagens geradas por ferramentas de IA.

O pré-candidato cita uma série de peças nas redes sociais planejadas por sua equipe e intituladas "Os Intocáveis", como vem se referindo aos ministros do Supremo. “O que a gente pode fazer em um País onde quem está no poder não pode ser mais satirizado ou questionado? Hoje, quem se julga intocável não tolera mais qualquer tipo de piada”, explica.

Em vídeo divulgado no feriado de Tiradentes, ele comparou os "intocáveis ​​de Brasília" às autoridades do período colonial e sugeriu que os brasileiros precisam ser "libertos" de perseguição política.

Já na postagem que classifica como “um dos vídeos mais importantes” que já fez, Zema diz estar sendo perseguido pelo tribunal e crítica o inquérito das fake news, investigação sigilosa de ataques contra o STF e seus integrantes e ameaças à independência do Poder Judiciário e ao Estado de Direito.

"O inquérito existe há sete anos e já foi usado pelo Supremo para atacar, perseguir e até prender opositores. Eles chamam de inquérito, dão um nome bonito para parecer juridicamente aceitável. Na verdade, é só um passe livre pra fazer o que eles bem entenderem", diz o ex-governador.

Conteúdos nesse tom também apareceram nas histórias, publicações com vida útil de 24 horas. Zema entrevista em que afirma que, apesar do pedido de investigação contra ele, está decidido a "ir até o fim".

“Quero ver quem é que vai me calar, só se arrumar um espaparadrapo gigante e colocar na minha boca à força. Caso contrário, eu vou continuar falando que o STF se transformou no Supremo Balcão de Negócios”, diz.

Ele também comentou o vídeo que motivou o pedido de indiciamento por parte de Gilmar Mendes, que aborda as relações de ministros do STF com o dono do Banco Master. “Dá para ver claramente que é uma sátira, são fantoches, uma caricatura, e isso existe desde que o mundo é mundo”, afirma.

O vídeo citado retratava uma conversa entre dois fantoches, que representavam Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Toffoli telefonou para Gilmar e pediu a ele que anulasse as quebras de sigilo de sua empresa, aprovado na CPI do Crime Organizado do Senado. Gilmar respondeu que anularia as quebras e pediria em troca uma cortesia no resort Tayayá, no qual Toffoli possuía participação acionária.

A sátira se baseia no fato de que Gilmar Mendes efetivamente proferiu decisão anulando as quebras de sigilo de Maridt, empresa de Toffoli e dos irmãos do ministro que receberam apoios de um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, como mostrado o Estadão.

O presidente afirma ainda tratar-se de uma "casta que está vivendo no luxo enquanto o brasileiro está vivendo no lixo", frase que repete em alguns dos vídeos.

"Não estamos satisfeitos com isso, queremos ainda embolsar milhões, como nós sabemos. Estamos próximos, frequentaram o mesmo ambiente dos maiores crimes do crime organizado do Brasil, e querem calar quem está falando dessa situação", diz em nova referência ao caso Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro .

O pedido de Gilmar Mendes para a inclusão de Zema no inquérito das fake news tramita sob sigilo. Moraes pediu uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir.