Política

Deputados do PDT acionam STF para anular eleição de Douglas Ruas como presidente da Alerj

Parlamentares pedem novo pleito com voto secreto e questionam legitimidade da escolha diante de indefinição sobre o futuro do governo do Rio de Janeiro.

20/04/2026
Deputados do PDT acionam STF para anular eleição de Douglas Ruas como presidente da Alerj
Douglas Ruas - Foto: Reprodução / Instagram

Deputados estaduais do PDT protocolaram uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a eleição realizada na última sexta-feira (17), que elegeu Douglas Ruas (PL) como presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O pedido foi apresentado pelos parlamentares Martha Rocha e Vitor Júnior, que defendem a realização de uma nova eleição, desta vez com voto secreto. Eles argumentam que o pleito tem relevância especial, já que o próximo presidente da Casa poderá assumir o cargo de "governador-tampão" do Estado.

“Entramos no Supremo Tribunal Federal para que essa eleição seja cancelada e possamos ter um processo justo, que permita aos deputados votar sem interferências, escolhendo o melhor caminho para o Rio de Janeiro voltar a crescer”, declarou Vitor Júnior em suas redes sociais.

Martha Rocha destacou que a eleição de Douglas Ruas está sendo questionada porque há um julgamento em curso no STF sobre o processo de escolha do novo governador do Rio de Janeiro. Uma das possibilidades é que o presidente eleito da Alerj assuma o chamado "mandato-tampão" até as eleições gerais deste ano.

“Nosso entendimento é de que só poderá haver eleição para presidente da Assembleia Legislativa quando for solucionado o processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal, que decidirá como serão conduzidas as eleições para governador do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou Martha Rocha.

A instabilidade institucional no Rio de Janeiro se agravou após a renúncia do governador Cláudio Castro (PL) e do vice Thiago Pampolha, ambos condenados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), que seria o próximo na linha sucessória, foi preso pela Polícia Federal e teve seu mandato cassado.

Diante desse cenário, o STF precisa decidir como será feita a escolha do governador para o "mandato-tampão", que ocupará o cargo até o final do ano.

A eleição de Douglas Ruas ocorreu em meio a um boicote promovido por partidos de oposição, que se recusaram a participar da votação em protesto contra o voto aberto.

No dia anterior à eleição, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) rejeitou o pedido para adoção do voto secreto e também negou a suspensão do pleito até que o Supremo defina as regras para a escolha do governador interino.

Enquanto o STF não conclui o julgamento, a presidência do Palácio Guanabara permanece sob comando do presidente do TJ-RJ, desembargador Ricardo Couto.