Política

Em Hannover, Lula defende imigração ao lado de chanceler alemão

Presidente brasileiro destaca papel dos imigrantes no Brasil e critica restrições europeias durante evento na Alemanha

20/04/2026
Em Hannover, Lula defende imigração ao lado de chanceler alemão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/Secom-PR

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defendeu a imigração em discurso na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, nesta segunda-feira, 20. Lula abordou o tema, que gera polêmica no continente europeu e é central nas eleições locais, ao lado do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, conhecido por críticas e políticas anti-imigração.

"Somos um país criado por imigrantes junto com indígenas e com os negros. Não temos nada contra imigração. Sejam bem-vindos os que queiram chegar ao nosso país para trabalhar e produzir, os que querem defender a democracia, o multilateralismo e a paz", afirmou Lula na abertura do estado brasileiro na Feira de Hannover.

Em março deste ano, Merz declarou que "nos próximos três anos, cerca de 80% dos sírios que moram na Alemanha devem voltar para seu país natal". Segundo ele, a situação na Síria “mudou fundamentalmente” e, por isso, a “necessidade de proteção (desses imigrantes) deve ser reavaliada”. Um discurso gerou críticas internas e externas ao primeiro-ministro alemão. Atualmente, cerca de 950 mil sírios vivem na Alemanha.

Desde que assumiu o poder, em maio de 2025, Merz introduziu uma política mais restritiva em relação à imigração. Além da retórica, como no caso dos sírios, o chanceler também aumentou as deportações de imigrantes – em 2025, esse número cresceu 25% em relação a 2024.

Lula diz que o Brasil 'cansou de ser pequeno'

Durante o evento, Lula afirmou que o Brasil se “cansou de ser pequeno, em vias de desenvolvimento”. "Quando o Brasil fala que será uma potência mundial na transição energética e na oferta de combustível renovável ao mundo, não estamos falando de pouca coisa. Estamos falando de um país que cansou de ser pequeno, em vias de desenvolvimento. Um país que cansou de ser tratado como terceiro mundo, como invisível", declarou.

O presidente ressaltou o interesse em fortalecer a aliança com Europa e Alemanha, tornando-a mais produtiva e eficaz para proporcionar um futuro mais promissor aos povos. Lula também destacou que o Brasil possui uma "economia razoavelmente estável" e que a participação na feira industrial é importante para o compartilhamento de informações.

"É com essa cara que viemos a Hannover. Primeiro para aprender o que a indústria mundial tem de novidade para o mundo. Segundo, aprender com a capacidade tecnológica e produtiva do povo alemão. Terceiro, mostrar aquilo que somos capazes de fazer", disse Lula.

"O Brasil quer se transformar em uma economia rica. Nós podemos ser tratados como um país pobre e pequeno. Temos boa base intelectual, tecnológica, temos empresas extraordinárias como a Petrobras e a Embraer", completou.

Conflitos mundiais

Lula também abordou a situação dos conflitos globais e defendeu a necessidade de mudança no cenário mundial. “Não é possível que não tenhamos a noção de que precisamos mudar essa situação mundial”, afirmou.

O presidente convocou uma união de "todos que defendem o multilateralismo, que não querem guerra, querem paz, que querem construir e não destruir, que querem defender a vida, e não a morte, e pensam no futuro da humanidade". Lula ainda criticou o papel das redes sociais, tema recorrente em seus discursos.

"A era do argumento acabou, a era da verdade se esvaiu, estamos vivendo a era das fake news. Quanto menos verdade você falar, mais importante você passa a ser. E o mundo não pode ser dirigido por mentiras", concluiu Lula.