Política
Alagoas apresenta plano decenal para fortalecer direitos e protagonismo dos povos indígenas
Proposta debatida na Assembleia Legislativa foca em 15 eixos estruturantes e foi construída a partir da escuta direta de lideranças de 14 etnias do estado
Em um movimento classificado como um "avanço histórico" por parlamentares e lideranças, a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) realizou, nesta sexta-feira (17), uma sessão especial para a apresentação do Plano Estadual de Políticas Públicas para os Povos Indígenas. O documento é o primeiro do gênero no estado e estabelece diretrizes para os próximos dez anos.
A iniciativa, proposta pelo deputado Ronaldo Medeiros (PT), reuniu gestores públicos, instituições acadêmicas e representantes das comunidades originárias. O objetivo central é garantir que os indígenas não sejam apenas beneficiários, mas protagonistas na formulação de ações governamentais.
Educação e Carreira Específica
Durante a sessão, o deputado Ronaldo Medeiros ressaltou o empenho da gestão estadual na infraestrutura educacional, citando a inauguração de escolas em comunidades de Palmeira dos Índios, Pariconha, Inhapi e São Sebastião.
"Temos um projeto aprovado nesta Casa que cria a carreira do professor indígena e quilombola, mais adequada às especificidades do cargo", destacou o parlamentar.
Eixos e Participação Popular
O plano é dividido em 15 eixos temáticos, abrangendo áreas críticas como:
Saúde e Segurança Alimentar;
Preservação Cultural e Desenvolvimento Sustentável;
Defesa de Territórios e Moradia.
Segundo o professor Jorge Vieira, coordenador do Centro Afro-Indígena do Cesmac, o documento terá vigência até 2036, com revisões previstas a cada dois anos para garantir sua aplicabilidade.
O secretário de Direitos Humanos, Marcelo Nascimento, informou que o texto ainda passará por uma consulta pública online e, posteriormente, será entregue ao governador Paulo Dantas para sanção e publicação no Diário Oficial.
Dívida Histórica e Cidadania
Para os representantes indígenas, o momento é de reparação. Ervison Wyrakitã, superintendente de Políticas para os Povos Originários, reforçou que o plano consolida políticas construídas com os povos, respeitando seus modos de vida.
Já Leandro Wassu, da aldeia Wassu-Cocal, enfatizou a necessidade de profundidade no tratamento das demandas: "Tratar desse plano hoje é tratar da dignidade e do respeito às nossas especificidades".
Além de secretarias estaduais (Saúde, Educação, Cultura e Direitos Humanos), a elaboração do plano contou com o suporte técnico da Ufal e da Uncisal, reafirmando o caráter multidisciplinar da proposta que visa resgatar e consolidar a cidadania indígena em Alagoas.
Mais lidas
-
1LIBERTADORES 2024
Palmeiras enfrenta gramado ruim e empata com Junior Barranquilla na estreia
-
2ELEIÇÕES 2026
Datafolha e Real Time Big Data divulgam pesquisas para presidente esta semana
-
3PREVISÃO DO TEMPO
Vórtice ciclônico em altos níveis provoca fortes chuvas em SP e outros Estados
-
4DESFALQUES NO RUBRO-NEGRO
Flamengo confirma lesão de Cebolinha na costela e perde Pulgar por problema muscular
-
5COPA SUL-AMERICANA
Com reservas, Red Bull Bragantino é derrotado pelo Carabobo na estreia