Política
Fachin critica relatório da CPI que mirava ministros do STF, mas nega crise com Senado
Presidente do STF defende escrutínio público ao trabalho do Senado, mas descarta crise institucional entre os poderes.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, voltou a criticar nesta sexta-feira (17) o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Fachin afirmou que o trabalho produzido no Senado também deve se submeter ao escrutínio público.
O documento sugeria o impeachment dos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostas ações e omissões no caso do Banco Master. Segundo o relatório, essas condutas configurariam crimes de responsabilidade previstos na Lei 1.079/1950. O texto foi rejeitado após articulação da base do governo Lula.
Ao comentar o parecer na terça-feira (14), Toffoli avaliou que a iniciativa pode configurar abuso de poder e gerar sanções eleitorais, enquanto Mendes solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a apuração de eventual abuso de autoridade por parte do senador.
"O caminho de indiciamento por conta de decisão judicial nos parece que não é um caminho adequado. Eu defendo que, quando não se concorda com uma dada decisão, o caminho adequado é o recurso, é recorrer, é contestar, impugnar a decisão e não atacar a própria institucionalidade", afirmou Fachin em coletiva de imprensa após palestra na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo (SP).
O ministro também afastou a existência de crise institucional entre Judiciário e Legislativo, avaliando que há, na verdade, divergências de interpretação sobre temas específicos, como a abrangência e a pertinência temática de CPIs. Ressaltou que não se deve questionar o papel fiscalizador do Parlamento, ao mesmo tempo em que defendeu que cada instituição deve preservar suas prerrogativas quando houver extrapolação dessas atribuições.
Fachin reconheceu ainda que o relatório traz pontos relevantes, como a discussão sobre o crime organizado no País, com atuação de facções em diferentes regiões, mas ponderou que é necessário delimitar com clareza os temas pertinentes às investigações parlamentares.
"O trabalho que foi feito no Senado Federal tem, portanto, também essa submissão a escrutínio público e esse debate, portanto, é um debate legítimo e salutar dentro da democracia e o Supremo", concluiu o magistrado.
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