Política

Alessandro Vieira afirma ter 'absoluta certeza' de que prisão de ministros do STF 'vai chegar'

Senador defende relatório da CPI e diz que só falta coragem dos colegas para agir contra ministros do Supremo

16/04/2026
Alessandro Vieira afirma ter 'absoluta certeza' de que prisão de ministros do STF 'vai chegar'
Alessandro Vieira (MDB-SE) - Foto: Pedro França/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, declarou nesta quinta-feira (15) ter "absoluta certeza" de que a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) "vai chegar", seja nesta ou em futuras legislaturas. Segundo ele, a medida depende apenas da coragem dos senadores para agir, conforme afirmou em entrevista à Revista Oeste.

Na quarta-feira (15), o ministro Gilmar Mendes, do STF, solicitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação para apurar possível abuso de autoridade por parte de Vieira. O pedido ocorre após o parlamentar propor, no relatório final da CPI, o indiciamento de Gilmar Mendes, dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O relatório da CPI foi rejeitado pela maioria dos integrantes da comissão. Para Vieira, a votação ocorreu "sob ameaça direta" de ministros do STF. O senador afirmou na entrevista que "tem a ficha limpa" e "não deve nada para esses caras".

"Aqui (no Senado) a gente não lida com criminoso pequeno. A gente lida com os maiores interesses da República", declarou o parlamentar. "Não adianta uma declaração autoritária, não adianta uma ameaça, porque os fatos estão ali", completou.

Vieira propôs o indiciamento de Gilmar Mendes no relatório devido à decisão do ministro que derrubou requerimento da CPI para quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático da Maridt Participações, empresa ligada à família de Dias Toffoli, que detinha cotas do resort Tayayá. O magistrado concedeu habeas corpus em processo do qual era relator, mas que não teria relação direta com a CPI.

Em resposta, Gilmar Mendes afirmou que o relator "se esqueceu dos seus colegas milicianos e decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal".

"Quando vi o meu nome inserido nessa tal lista de indiciados por parte do senador relator deste caso, eu disse: é curioso. Ele se esqueceu dos seus colegas milicianos e decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus. Mas só esse fato narrado mostra exatamente que nós descemos muito na escala das degradações", declarou o ministro.

Gilmar Mendes pediu que o Ministério Público apure possível enquadramento do senador na lei que trata de abuso de autoridade. Em entrevista ao Estadão, Vieira afirmou que as declarações do ministro soam como uma provocação de "5ª série" e que seria "uma covardia" deixar de pedir o indiciamento dos ministros e de Gonet.