Política

Lula manifesta solidariedade ao papa Leão XIV após críticas de Trump

Presidente brasileiro envia mensagem à CNBB em defesa do pontífice, alvo de ataques do ex-presidente dos EUA

15/04/2026
Lula manifesta solidariedade ao papa Leão XIV após críticas de Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © Foto / Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou nesta quarta-feira (15) sua profunda solidariedade ao papa Leão XIV (Robert Francis Prevost) , que, segundo Lula, tem sido "atacado por poderosos". A manifestação foi enviada à 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em meio às recentes críticas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao líder da Igreja Católica.

A tensão começou no domingo (12), após Trump afirmar que o Leão XIV deveria “parar de ceder à esquerda radical”. Desde então, o ex-presidente americano intensificou as críticas, chamando o pontífice de “fraco no combate ao crime e péssimo em política externa”.

Em resposta, o papa Leão XIV declarou: "(Jesus) não escuta as orações daqueles que fazem guerras, mas as rejeitadas, dizendo: 'Ainda que fazis muitas orações, não ouvirei: as suas mãos estão cheias de sangue'", citando a Bíblia.

Na madrugada desta quarta-feira (15), Trump voltou a atacar o líder católico, publicando: “Alguém pode dizer ao papa Leão que o Irã matou ao menos 42 mil manifestantes inocentes e desarmados nos últimos dois meses, e que o Irã tem uma bomba nuclear é completamente inaceitável?

No vídeo enviado aos bispos brasileiros, Lula fez um aceno à comunidade católica, prestando solidariedade ao papa e destacando que líderes comprometidos com a paz e a defesa das mais vulneráveis ​​enfrentam frequentemente oposição de grupos poderosos . O presidente também ressaltou o papel da CNBB na defesa da democracia.

“Quero reafirmar meu respeito e admiração por uma instituição que, nos momentos mais dolorosos da nossa história recente, esteve na linha de frente em defesa da democracia”, declarou Lula. “A CNBB fez a ditadura, defendeu os perseguidos pelo regime militar, apoiou as greves dos trabalhadores urbanos e a luta dos trabalhadores rurais pela posse da terra”, completou.

O presidente também destacou os 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e Santa Sé e as iniciativas da Igreja Católica, que, segundo ele, "permanecem como referência na construção de políticas públicas e de inclusão social".

Lula comprometeu-se ainda a campanha da fraternidade da Igreja neste ano, cujo tema é "Moradia e Fraternidade", e ressaltou a sintonia do programa Minha Casa, Minha Vida com a iniciativa religiosa.

Nesta quinta-feira, Lula e o ministro das Cidades, Vladimir Lima, anunciaram um aporte de R$ 20 bilhões do Fundo Social ao Minha Casa, Minha Vida, elevando o orçamento do programa de habitação para R$ 200 bilhões.

Ao finalizar sua mensagem, Lula reafirmou: “Quero terminar reafirmando o nosso compromisso com o Estado laico e a garantia plena de liberdade religiosa”.