Política

Novo Plano Nacional de Políticas para as Mulheres será lançado no segundo semestre, diz ministra

Anúncio foi feito durante seminário na Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher; dados apontam aumento de feminicídios entre jovens.

14/04/2026
Novo Plano Nacional de Políticas para as Mulheres será lançado no segundo semestre, diz ministra
Ministra anuncia novo Plano Nacional de Políticas para as Mulheres em seminário sobre violência de gênero. - Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, anunciou que o novo Plano Nacional de Políticas para as Mulheres será lançado no segundo semestre deste ano. O plano é resultado da 5ª Conferência Nacional realizada em 2023. O anúncio ocorreu durante seminário sobre a rede de enfrentamento à violência contra meninas e mulheres, promovido pela Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher.

De acordo com a ministra, o enfrentamento à violência contra as mulheres é um trabalho contínuo. Ela relatou que, em recente visita a uma cidade do Paraná com menos de 200 mil habitantes, não houve registros de feminicídio nos últimos dois anos. No entanto, os boletins de ocorrência relacionados à violência contra mulheres somam cerca de 80 por dia.

A deputada Luizianne Lins (Rede-CE), responsável pelo pedido do seminário, destacou o papel do Legislativo na coordenação das ações de combate à violência. “Nosso papel é articular todas as políticas públicas e destacar iniciativas importantes”, afirmou.

Débora Reis, representante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, alertou que, em 2024, houve aumento superior a 30% nos feminicídios de mulheres entre 12 e 17 anos. Segundo ela, as vítimas têm se tornado cada vez mais jovens.

Registro de casos

Mariana Pereira, coordenadora-geral de Atenção à Saúde das Mulheres, informou que há um esforço para qualificar o atendimento nas unidades de saúde, visando registrar os casos de violência no Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

“Essas mulheres chegam às nossas unidades básicas de saúde e muitas vezes são identificadas como poliqueixosas, como se não soubessem o que querem, retornando diversas vezes. Na verdade, isso é um sinal de alerta”, explicou.

Segundo Mariana, em mais de 60% dos feminicídios, a morte ocorre até 30 dias após a notificação de violência no sistema. Ela acrescentou que o governo defende, junto à Organização Mundial da Saúde, a criação de um registro internacional de casos de feminicídio para permitir comparações globais.

A coordenadora também citou programas do Ministério da Saúde de apoio a mulheres vítimas de violência, que vão desde teleatendimentos psicológicos até a reconstrução dentária.