Política

Mariz de Oliveira critica relação entre ministros do STF e empresários: 'Juiz não pode se misturar'

Ex-secretário da Justiça de SP aponta crise de confiança no Supremo e defende mudanças na indicação de ministros

13/04/2026
Mariz de Oliveira critica relação entre ministros do STF e empresários: 'Juiz não pode se misturar'
Mariz de Oliveira

Três pesquisas recentes indicam uma percepção negativa da opinião pública em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente após a investigação de fraudes financeiras no Banco Master e as suspeitas de ligação de ministros da Corte com o banqueiro Daniel Vorcaro.

No levantamento AtlasIntel/Estadão, 60% dos entrevistados afirmaram não confiar no STF . Já uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que 47% acreditam que o Supremo está “totalmente envolvido” com o escândalo do Mestre. Dados do PoderData, divulgados no fim de março, apontam que 52% avaliam o trabalho do STF como ruim ou péssimo, o índice mais alto desde o início da série histórica, em 2021. Apenas 9% têm avaliação positiva da Corte, enquanto 33% consideram regular e 6% não encontraram resposta.

Em entrevista à Rádio Eldorado, o advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira , ex-secretário da Justiça e da Segurança Pública de São Paulo e ex-presidente da OAB-SP, destacou que, embora não se deva atacar o Supremo como instituição, é legitimamente crítico o comportamento de seus ministros. Para Mariz, a raiz da crise atual está no televisionamento dos julgamentos, iniciado com o caso Mensalão. “Os juízes passaram a falar para as câmeras, e Justiça não é espetáculo televisado”, afirmou.

O advogado também criticou a participação de ministros em eventos com empresários no exterior para discutir temas ligados ao Brasil. “Junto com os juízes vão empresários que processos têm pendentes nos tribunais superiores. Isso é absolutamente indevido e inconcebível. O juiz não pode se misturar com o jurisdicionado ”, enfatizou Mariz.

Segundo ele, é fundamental que haja pressão da sociedade e das instituições para uma mudança de postura na Magistratura. “O sistema de Justiça como um todo está ladeira abaixo. Se não reagirmos por meio das instituições e da sociedade, estaremos à beira do caos social”, alertou. Mariz defendeu ainda que os indicados ao STF tenham pelo menos 50 anos de idade e mandatos limitados a 15 anos.