Política

Entre o Voto e o Petróleo: Organizações Indígenas lançam manifesto de alerta ao Governo

Documento assinado no ATL exige que demarcações de terras sejam o pilar da política climática e rejeita exploração de combustíveis fósseis

Redação com DCM 11/04/2026
Entre o Voto e o Petróleo: Organizações Indígenas lançam manifesto de alerta ao Governo
- Foto: Reprodução/DCM

O movimento indígena brasileiro oficializou, na última sexta-feira (10), um posicionamento estratégico para o cenário político de 2026. Reunidas no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, as principais lideranças do país divulgaram o manifesto "Nosso apoio demanda compromisso", no qual declaram apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas deixam claro que o suporte não é um "cheque em branco".

O documento, assinado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e outras sete entidades, reconhece avanços — como a criação do Ministério dos Povos Indígenas —, porém aponta "contradições persistentes" na gestão federal, especialmente no que tange à exploração de recursos naturais em áreas sensíveis.

O impasse do petróleo na Foz do Amazonas

Um dos pontos centrais de tensão entre o Palácio do Planalto e as bases indígenas é a exploração de combustíveis fósseis. O setor vive um momento crítico: em fevereiro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizou a Petrobras a retomar as atividades no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas.

A operação estava suspensa devido a um vazamento de fluido de perfuração que resultou em uma multa de R$ 2,5 milhões aplicada pelo Ibama. Embora a estatal assegure a inexistência de riscos ambientais e pleiteie a perfuração de mais três poços na região, o movimento indígena vê a iniciativa com desconfiança. No manifesto, as organizações pedem o fim da pressão por grandes empreendimentos que coloquem em xeque a integridade dos territórios originários.

Demarcação como política climática

As lideranças enfatizam que o progresso nas demarcações de terras, embora retomado, ainda é insuficiente perante a "urgência do momento". A principal reivindicação é que a regularização dos territórios deixe de ser vista apenas como uma pauta social para ocupar o centro da estratégia brasileira contra a crise climática.

"A exploração de recursos continua sendo realizada sob uma nova linguagem, que não protege efetivamente nossos direitos", afirma o texto do manifesto.

Pressão e Vigilância

O encerramento do ATL 2026 envia um recado direto ao Executivo: a estrutura e o orçamento para políticas públicas voltadas aos povos originários precisam de reforço imediato. Ao condicionar o apoio eleitoral, as organizações indígenas reforçam seu papel de fiscalização, sinalizando que a manutenção da aliança com o governo Lula dependerá da priorização da agenda ambiental e territorial sobre os interesses desenvolvimentistas e extrativistas.